terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Capitulo 5

- Que dia lindo – Refletiu Sam.
- Com certeza – Eu e ele brindamos com a latinha de Coca. Eu arrumei meus óculos, e Sam tirou seu boné azul de amarelo dos Lakers arrumou o cabelo e repôs o boné. Estávamos encostados preguiçosamente na casa de campo, sentados na grama observando Buddy roer animadamente um caroço de manga, sobe a sombra da mangueira. Um lindo dia de sol, silencioso, onde a brisa quente das 16:00 horas bate preguiçosa e acolhedoramente em seu rosto. Uma outra manga caiu na grama, Sam correu e pegou a manga antes de Buddy pudesse fazê-lo.  Buddy logo se levantou e fitou-o, Sam começou a correr sorrindo e me fazendo rir:
- Você não vai pegar essa manga Buddy – Ele sacudiu a manga na mão, e jogou ela de uma mão para outra. Buddy corria e latia atrás dele e eu me sentia feliz e ria sozinha – Lola vem! – Eu levantei. Sam jogou a manga pra mim e Buddy correu até mim, corri para o outro lado da casa e joguei a manga de volta pra Sam. Buddy correu até Sam e este jogou a manga pra mim. Buddy correu rápido e pulou com suas grandes patas no meu peito e me derrubou. Lambeu meu rosto e abocanhou a manga, andou tranquilamente até a mangueira onde começou a come-la. Ele ama mangas. Ele ama a sombra dessa mangueira. Ele ama este lugar.
- Quer ajuda? – Sam estendeu a mão pra mim, agarrei-a.
- Crianças... Fiz cupcakes – Ouvi minha mãe gritar.
- EU QUERO! – Sam ficou tão animado com os cupcake que esqueceu de mim e soltou minha mão, e eu cai na grama de novo, fiquei limpando meu shorts enquanto Sam corria para dentro de casa.

-SAM! – Eu fiquei tão tomada pelo desespero que parei de me importar de eu estava fazendo barulho ou não, depois do grito que me chamou eu não ouvi mais nenhum barulho vindo da casa além dos grunhidos dos zumbis. Vi Buddy pular da escada e abocanhar o pescoço de um zumbi, corri até ele e enfiei a lamina da espada na cabeça deste. Agachei, acariciei a cabeça de Buddy e perguntei – Garoto, cadê o Sam? – Buddy latiu com a cabeça virada escada a cima, e de lá Sam vinha correndo tropeçando – SAM! – Dei um abraço aliviado nele – o que aconteceu?
- Eu abri a porta do banheiro e eles saíram de lá. Desculpa, eu...
- Desculpa pelo o que, cara? A gente devia ter olhado todos os lugares da casa antes de nos instalar. Não foi sua culpa, ouviu?
- O que aconteceu com a sua testa? – Perguntou ele, mudando de assunto.
- Ah eu... – Buddy latiu. Os zumbis desciam a escadas aos tropeços. O que essas pestes fazem na minha casa?
Hipoteticamente falando, como a gente não vem pra cá a um pouco mais de um ano, que foi quando tudo isso começou  podem ter pensado que estava desocupada e alguma família veio se instalar. Talvez tenham feito muito barulho, ou coisa do tipo e alguns zumbis vieram atacar e com medo eles se trancaram no banheiro. Hipoteticamente falando, essa é uma boa opção. 
Sam, com toda força que possuía num braço enfiou como uma lança a espada na cabeça do zumbi, a espada cravou no chão de madeira e o zumbi caiu espirrando sangue negro. Eu cortei a cabeça de outro com um movimento. Fiquei tonta, cambaleei e cai. Coloquei a mão na testa, caralho ta doendo muito.
- Lola? Você está bem? – Olhei pra Sam. E então, tudo ficou em câmera lenta.
Sam se distraiu comigo, e não viu o zumbi vindo atrás dele, o errante arreganhou sua boca podre pronto pra morder o pescoço do meu irmão, antes que pudesse Buddy mordeu sua perna fazendo o zumbi cair de quatro com a boca em cima de suas costas. Trocando seu alvo.
- NÃO!- Gritei em desespero. Levantei rápido, minha visão escureceu. Apoiei minha mão no chão e a outra segurei minha testa, Buddy eu vou chegar até você amigão. Eu vou. Senti uma pontada tão profunda no meu coração que tive que colocar minha mão em meu peito e ver se sangrava, não. Era apenas um repentino vazio, de uma parte cortada do meu coração. O desespero se fortaleceu quando ouvi Sam chorando baixinho em lamentação.
- Não... Não... Não... – Olhei pra ele. Diante daquilo, de repente fiquei com uma raiva gigantesca. E então, virei uma maquina de matar. Pulei Sam que estava sentado na possa de sangue de Buddy, com ele ao seu lado acariciando sua cabeçona que já estava perdendo a cor dos olhos azuis, enfiei minha espada na cabeça de um zumbi fazendo seu sangue se espalhar pela escada. Corri escada acima, em direção ao banheiro e lá tinham mais três zumbis. Segurei forte o cabo da espada com as duas mãos e decepei os três zumbi se um vez. Fazendo uma cortinha de sangue se espalhar pela parede.
Depois que eu terminei, meu sangue simplesmente esfriou. O choque da realidade me possuiu, minhas pernas ficaram bambas e eu tive que me apoiar na espada para conseguir andar. Desci a escada lentamente, abominando o momento em que finalmente chegaria ao fim dela.
Desabei no chão, larguei a espada e fechei minha mão num punho. Sam limpou o rosto e sentou no degrau da escada, observando a mim com seus olhos castanhos  brilhando com um perolada lágrima caindo. Ouvi o choro baixinho de Buddy, como um ultimo pedido de misericórdia, eu o tomei em meus braços, minhas lágrimas caiam e desapareciam sobe seu pelo. Eu passei minha mão carinhosamente pela sua cabeça.
- Eu lembro quando eu ganhei você – Disse para ele. Talvez seja ridículo, uma garota de 18 anos falando com um cachorro. Mas eu não me importo, ele é mais do que um animal de estimação – eu fiquei tão feliz que queria ficar com você no colo o dia todo. Lembro que te tratava como um bebe – Funguei – mas o que eu mais lembro foi da sensação que tive quando fui dar o seu nome. Eu olhei pra você e pensei, esse é um cachorro especial. Não pode ter um nome comum, ele é da família, merece ter um nome digno de campeão. E então resolvi te chamar de Buddy, porque... – Continuei a fazer carinho em baixo do rosto dele, porque ele adora. Olhei para a mangueira relembrando momentos felizes – porque você é um amigão, não é? – Voltei meu olhar para ele, seus olhos já estavam fechados. Seu coração havia parado de bater, e sua alma já na estava mais neste mundo – Buddy? – Voltei a chorar descontroladamente – Buddy – Abracei ele com força, Sam abaixou o rosto e colocou-o entre as pernas, tampando-o com os braços. Estiquei meu braço até a mesa e peguei uma flecha, enfiei sua lança com cuidado na parte de trás da cabeça de Buddy, para não correr o risco dele voltar. Depois de umas duas horas Sam se levantou, e tirou os corpos dos zumbis da casa, levou-os para dentro da floresta e os queimou lá. Enquanto eu,fiz uma lápide com madeira escrito com ferramentas do meu pai. E depois fiquei durante horas, sentada na sala com Buddy nos braços. O pôr do sol já estava acabando quando Sam finalmente me perguntou:
- Onde você quer... Enterrar ele?
- Em baixo da mangueira.
- Nada mais justo – Sam foi até o jardim e começou a cavar, agradeci-o mentalmente por não me pedir ajuda nisso. Eu não iria conseguir. Peguei a coleira de Buddy e segurei com força na mão enquanto levava-o até a mangueira e o coloquei com cuidado dentro da cova. Depois fiquei observando a terra cair sobe seu corpo.
“Aqui jaz Buddy, um cão, um companheiro, um amigo” dizia a lápide.
Sam observou por alguns instantes e depois deu dois tapas leves no meu ombro e voltou para casa. Senti uma rajada de vento fazer algumas folhas caídas dançarem sobe o solo. Vem chuva ai.
- Buddy, me desculpa – Minha garganta fechou, e minhas lágrimas caíram junto ao meu sangue que teimava em rolar. Apertei com força a coleira na minha mão – Eu devia ter te protegido. Devia ter feito de tudo pra te proteger, mas eu não consegui. Você protegeu o Sam, certo? Porque somos um família – coloquei a coleira como colar no meu pescoço – agora vai ser diferente... Agora diante de sua lápide eu te prometo. Prometo que não vou deixar o Sam morrer, vou protegê-lo custe o que custar, nem que eu tenha que arriscar minha vida... Ou até mesmo perde-la – Fiquei alguns segundos em silencio apenas ouvindo o som uivante do vento. Até que decidi me levantar. Dei dois tapas de leve na lapide de madeira e sussurrei – Obrigada amigo, obrigada por tudo.
Entrei em casa e sentei no sofá.
- O que aconteceu com a sua testa?
- Bati a cabeça – Sam se aproximou.
- Perdeu muito sangue... A gente precisa de uma transfusão...
- É, só que seu tipo sanguíneo não é o mesmo que o meu... – Respondi.
- É só a gente... – Sam parou de falar de repente. Barulho. Tem alguém vindo. Olhei para ele, e ele assentiu. Peguei o arco e flechas e observei a sombra do invasor, a luz de velas da sala. Ele continuou andando, até que eu atirei uma flecha a alguns centímetros de seu pé.
- Não se atreva a dar nem mais um passo – Não conseguia ver seu rosto, mas aqueles ombros...
- Lola? – Abaixei o arco.

- Drew?

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Capitulo 4

Acordo no meio da noite, com o fogo da fogueira crepitando e alguns grunhidos rangendo nos meus ouvidos. Que isso?
-Sam? – Sussurro. Coço meu ouvido, numa tentativa fracassada de tentar parar o barulho – Sam? – Sem resposta – Sammy? – Nada. Vou me aproximando da árvore a frente – Samuel? – Solto o grito agourento e caiu de costas no chão. Sam-zumbi mastigando Buddy me olha com a boca cheia de sangue e as mãos cheias de órgãos.
- Lola? – Agarro o pescoço de Sam em um desespero estranho. Olho em volta assustada e vejo que não tem fogo, que Buddy estava sentado ao meu lado, e que Sam está bem. Soltei seu pescoço.
- Desculpa – Me apoio na arvore para poder levantar.
- Tava tendo um pesadelo né? – Olhei pra ele – Você soltou um grito e me acordou.
- É... Foi um pesadelo muito ruim – Passei a mão na cabeça e depois a sacudi para afastar a lembrança.
- Quer me contar? – Perguntou Sam se levantando.
- Definitivamente não – Pisquei algumas vezes e tentei lembrar de ontem. Ah sim... Depois de correr 15 km, paramos pra descansar no meio da floresta e agora eu acordei – Vamos sair logo daqui, algum zumbi deve ter ouvido meu ilustre grito.
- Quantos km faltam? – Olhei para Sam e disse:
- Mais 15 – Ele fez uma cara de espanto de depois de coitado.
- Ah... Qual é?!
- Vamos – Peguei no braço dele e começamos a andar.
O dia foi passando e Sam ficando cada vez mais pálido pela fome.
-Senta um pouco. Toma – Sam sentou numa árvore, e eu lhe dei minha água. Passei a mão no cabelo dele – Você ta bem? – Ele assentiu. Barulho, agachei na frente de Sam, Buddy que estava ao meu lado esticou as pacas da frente deitando sua cabeça e deixando suas pernas traseiras arqueados e sua bunda levantada em posição de ataque. Peguei meu arco e flecha – Buddy, toma conta do Sam – Ele continuou parado enquanto eu saia em direção ao barulho, o que significa que ele entendeu.
Barulho de novo, agachei ao mesmo tempo que apontava e atirava uma flecha. Corri até o alvo atingido e vi que era um veado. Uma veado aqui? Eles só existem em uma parte da floresta. Andei um pouco mais adiante e vi. O caminho que eu e Drew fazíamos quando crianças.
-Sam! – Sussurrei. Ele se levantou e olhou pra mim. Bati com dois dedos duas vezes na cabeça e apontei para a esquerda. Segurei o veado morto pelo pescoço e o arrastando recomecei a andar, com Sam e Buddy atrás de mim.
- Era disso que eu tava falando – Disse Sam algum tempo depois todo feliz. Finalmente chegamos – Vem Buddy – Chamou Sam, ele pegou uma manga que havia acabado de cair da mangueira enfrente a casa e correu com ela pelo jardim fazendo Buddy ir atrás dele. E depois jogou a manga no chão, Buddy pegou e foi para a sombra da mangueira comer sua manga. Esse era o melhor lugar do mundo, definitivamente. Parece que o tempo parou pra este lugar, o mundo pode estar caindo lá fora. Aqui sempre vai estar intacto. Sempre que chegamos aqui, eu me sinto quando eu tinha 14 anos de novo. Sam procurando o que comer, Buddy em baixo da mangueira comendo uma manga, eu rindo igual a boba dos dois correndo juntos. Não lembro qual foi a ultima vez que senti meu coração com poucas preocupações e meses. Enfim, agora vamos começar a fazer as armadilhas aqui, peguei algumas ferramentas velhas do meu pai atrás da casa e fiz armadilhas em volta dela, depois entrei.
- Que dia é hoje? – Perguntei.
- Ah... Sei lá, sábado?
- To perguntando de número – Sam pegou seu calendário de dentro da bolsa e disse:
- 12 – Fui até a mochila, peguei a seringa e enchi com o liquido amarelado do remédio. Sam fez um careta, a qual eu já estava acostumada e sentou no sofá estendendo o braço. Dei dois petelecos na seringa e injetei na veia de Sam. Como depois da injeção Sam tem que ficar parado durante 2 horas, eu mesma cortei o veado e acendi a lenha para cozinhar o animal. Mais tarde sentamos a mesa e comemos em silencio, o único barulho que eu ouvia era o mastigar de Buddy.
- Vou tomar um banho – Disse Sam depois de, claro, ele lavar a louça.
- Eu vou dar uma saída – Disse – Buddy fica – ordenei depois perceber ele me seguindo.
- Aonde você vai?
- Dar uma volta.
- Leva ele.
- Não, ele fica – Disse.
- Leva pelo menos a espada – Olhei pra ela, empoeirada e reluzindo graciosa sobre seu apoio. E então lembrei:
- Tia Trisha porque a gente ta aqui? – Perguntou Sam quando chegamos na academia de luta.
- Porque vocês tem que ter alguma coisa pra fazer nesses 6 meses que ficarem em minha casa – Ela está certa. Esse lugar é no meio do nada, não tem sinal de celular, só tem livros velhos, a TV é restringida, tem que ter licença para caçar. Tédio
- Eu acho que é porque o tio Ben é Espadachim profissional,e vocês querem que a gente faça o mesmo – Respondi.
 – Imagina Lola! Agora vamos crianças... pode ser legal. Entrem, vamos – Tia Trisha foi falar com o professor, enquanto Sam ficava ao meu lado.
E foi ai que eu o vi. Drew estava lá também.Eu sabia que havia o visto antes, mas isso aconteceu antes de eu o conhecer. Nem mesmo conversava com ele. Ele virou seu rosto para mim e me reconheceu, eu fiquei tão sem graça que abaixei meu olhar. Ele estava suado e com um quimono preto com uma faixa branca prendendo, mas ele definitivamente continuava bonito. Ele se aproximou de mim, eu não lembro do meu coração ter batido mais rápido que naquela hora:
- Você é aquela menina não é? Da casa de campo dos Prize – Eu assenti – Meu nome é Drew Leavington, prazer – Ele estendeu sua mão com um sorriso tão fofo, eu a apertei.
- Lola. Prazer.
- Sabe, eu já te vi caçando – Eu o olhei surpresa.Sam sorriu e disse:
- Eu vou falar com a tia Trisha, depois a gente se fala – Eu nem olhei pra ele.
- Já me viu caçar?
- É... Eu moro perto da sua casa de campo. Agora eu estou na casa dos meus primos, e vim pra cá passar o tempo.
- Você... Sabe caçar?
- Não... Eu sempre tive vontade, mas ninguém nunca me ensinou.
- Você é bom com isso? – Peguei uma das espadas que estava no suporte.
- Dizem que eu sou o melhor – Respondeu com um sorriso nada modesto.
- Vamos fazer assim então... Você me ensina a usar uma espada que eu te ajudo com o arco. Que tal?
- Aceito – Ele puxou a espada que estava presa em suas costas e disse – Não tente imaginar a espada como um abjeto para machucar, mas sim como uma parte de si – Ele olhou em meus olhos, e eu senti nos dele o brilho de paixão pelo o que ele estava fazendo, era como eu com o arco. É uma coisa mais como um hobbie, não uma profissão. Era um diversão e não uma obrigação – segure-a com as duas mãos pelo cabo, com leveza e firmeza – Ele segurou a sua espada e eu o imitei – golpeie de cima pra baixo, assim.
Aquele foi um dia interessante, depois disso fui ansiosa durante 3 meses para o curso e depois que Drew foi embora Sam virou meu companheiro Espadachim. Acabou que eu comecei a gostar de verdade daquilo. Foi legal.
Minha tia era professora de luta MMA, por isso eu e Sam lutamos. Minha mãe adorava caçar, por isso eu caço. Muita coisa na minha vida e na dele é por causa dos nossos pais que fazemos, eu e ele sempre odiamos isso. Mas eu acho muito útil agora.
- Tudo bem, eu levo – Peguei a espada e passei a alça de seu suporte pelo meu braço como uma bolsa e sai de casa. Fiz o caminho pela floresta tomando cuidado para não pisar nas minhas próprias armadilhas e fui até a cachoeira. Sentei na pedra e fiquei observando a água cair por algum tempo. Coloquei a espada no chão e pulei na água com minha roupa. Nunca me senti tão limpa. Afundei e depois fiquei boiando. Só relaxando. Até que ouvi um barulho, afundei meu rosto na água deixando apenas meus olhos de fora.
Um zumbi, não... dois. Saindo da mata, droga to sem a espada. É Lola, agora vai na sorte. Sai da cachoeira e os zumbis vieram atrás de mim. Corri atrás da espada, escorreguei no chão rochoso e bati a cabeça na pedra. Vi meu sangue escorrer por sua superfície, fiquei tonta. Ouvi o grunhido se aproximando, me apoiei no suporte da espada tirei-a de dentro e cortei a cabeça do zumbi. Enfiei a lamina na garganta do outro, fazendo-o cair com sangue negro escorrendo por ela. Me aproximei dele e cortei a cabeça fora.
Me apoiei na pedra segurando minha testa, o sangue ainda escorria e minha cabeça doía. Eu estava tonta. Um grito. Sam. Sam? SAM!

Rasguei um pedaço da minha camiseta e enrolei como uma bandana na minha cabeça, corri de volta para a casa. E quando cheguei lá, zumbis estavam dentro. 

Capitulo 3

Minha respiração está tão ofegante, que tenho certeza que ela vai ouvir. Para de respirar assim droga! Não consigo... To com tanto medo que minha pele ficou gelada, meus dedos doem quando os movo. Droga, droga, droga. Sai dai Lola! Se mexe! Vai ficar de baixo da cama até quando? Fracote. Ai vem ela...
-Ahh... – Ela se contorceu com as mãos na altura no rosto e caiu. Quem é essa mulher? Não sei. Mas ela entrou em casa pedindo ajuda, e sua pele esta ficando cada vez mais pálida, ela não está conseguindo falar direito, e seus olhos ficando opacos. Não sei o que ela tem, mas isso me assusta. Eu não sei o que fazer, o que ela tem? O que é isso? Não sei. Como vou sair daqui, sem ela me ver? Ela caiu no chão, e se contorceu mais. Um vazo de flores caiu no chão do corredor, e ali eu vi Sam. Com Buddy atrás dele. A mulher no chão esticou sua mão pra ele e de repente parou de se mexer. Morta no chão.
- Graças a Deus você está bem – Disse Sam me abraçando depois que sai de baixo da cama – Eu tava procurando por você – Meu irmão mais novo estava procurando por mim, lutando contra todo medo que sentia vindo atrás de mim. E eu me escondendo em baixo da cama? Ridículo. Patético. Fraca. Isso não pode acontecer de novo, isso não vai acontecer de novo. Não vou hesitar em proteger Sam e Buddy, de agora em diante não posso me deixar levar pelo medo. Vou proteger eles – Mas o que...? – A mulher voltou a se mover. Grunhindo, começou a se levantar. Sam recuou. Buddy latiu. Minha mão não parava de tremer, fechei o punho com força. Peguei o abajur de cima da mesinha quebrei a lâmpada nesta e enfiei-a na cabeça da zumbi. Sangue negro escorreu da lâmpada para minha mão.
- Isso foi estranho – Disse tentando mascarar todo e qualquer vestígio de medo que eu estava sentindo. E não era pouco.
- Assustador – Disse Sam com um olhar vidrado. Então essa foi a primeira vez que vimos alguém se transformando.

Dias atuais
-Você não acha que ta tudo muito calmo? – Perguntou Sam.
- Pois é... Nevada nunca mais foi a mesma – Respondi olhando distraída pela janela.
- Lola, a gente está em Las Vegas o lugar mais lotado de Nevada inteira. Por que diabos não tem zumbis nas ruas? – Perguntou Sam, ele tem razão – Esperava uma recepção diferente.
- Cuidado com o que fala Sammy... Pode se tornar real – A medida que a noite ia caindo Buddy ficava mais inquieto – Ei... O que foi amigão? – Olhei pra fora, Vegas parecia uma linda dama assombrada, solitária dessa maneira. O pôr do sol ia chegando e algumas sombras iam se aglomerando pelos prédios – Sam, vai pela esquerda.
- Ta bom – Os pelos da minha nuca começaram a se erguer, uma sensação estranha de perseguição vinha tomando conta do meu estomago.
- Você está sentindo a mesma coisa que eu?
- Acho que sim – Sam olhou pra trás e depois continuou a dirigir mais rápido. Mais sombras iam aparecendo nas encostas dos prédios. E depois disso tudo aconteceu muito rápido.
Sam atropelou um zumbi que estacou a nossa frente, seu sangue negro e órgãos rançosos cobriram a tintura do carro. Sam acelerou,os zumbis saíram da escuridão e brilharam sobe a luz do pôr do sol.
-Agora a porra ficou séria – Sam acelerou por entre 15 zumbis passando por cima de seus membros despedaçados. Pi pi pi pi
- Caralho – Disse. A gasolina ta acabando.
- Agora ferro Lola, o que a gente faz? – Passei a mão pelo cabelo, estamos cercados por zumbis, com pouca gasolina. Quase saindo de Vegas, a 30 km da Casa de campo. Bati meu dedão duas vezes na testa.
- É isso...
- O que?
-Eu tenho um plano – Disse.
- É bom? – Perguntou Sam.
- Não – Respondi, sorrindo com irônia.
- É o que tem pra hoje... Vamos nessa – Peguei a única mochila que tínhamos e coloquei nas costas. Segurei Buddy pela coleira, Sam atraiu os zumbis para o lado oposto a saída. Eu e Sam pulamos para fora do carro, segurei Buddy pela coleira abraçando-o com força e caindo no chão em seu lugar, raspei meu braço no asfalto fazendo um machucado superficial que sangrava e ardia. Sam estava de jaqueta então ficou bem. Nos escondemos atrás de um prédio até todos os zumbis estarem aglomerados em volta do carro, peguei o fósforo dentro da mochila, raspei na coleira de Buddy e joguei no carro.
- Agora – Sussurrei. Sam, Buddy e eu demos a volta no prédio e corremos em direção a saída pela floresta. Coloquei Buddy atrás de uma moita – Buddy deita - Sam estava atrás de nós e escorregou na lama molhada pela chuva de ontem – SAM! – Pulei em cima dele. O carro explodiu. Estávamos longe o suficiente para não sermos queimados. Mas perto o suficiente para sentir o impacto.
- Você ta bem? – Balancei a cabeça. Sam não estava ferido então tudo bem. Ajudei-o a levantar e começamos a andar em direção a casa de campo.

No hanking de cadeia alimentar, os zumbis são os mais fracos por serem mais fáceis de matar. Isto é, um zumbi = fácil. Uma horda = problema. Não há espaço para fracos no mundo, mas a questão é que o mundo se tornou fraco. E eles estão predominando. Não vejo mais pessoas na rua, mas isso é claro. Porque se sobreviveram até agora é porque são inteligentes, cuidadosos e fortes. E como dizia Charles Darwin, só sobrevivem os mais fortes.

Capitulo 2

- Por favor, pai...  – Pedi agarrando a barra da camiseta dele, e erguendo minha cabeça para olhar em seus olhos.
- Ah Lola... Não sei não... – Respondeu ele pensativo, coçando a cabeça com o dedo indicador. Eu olhei para trás, quase desesperada. E lá estava ele, Drew. Da minha altura, 14 anos (igual a mim), cabelos negros e olhos azuis tão claros quanto cristalinos e o sorriso mais lindo do mundo. Estava encostado numa arvore apoiando uma das mãos em seu arco, com a outra mão segurando a bolsa de couro das flechas. Papai olhou para Drew com uma das sobrancelhas erguidas.
- Pai a gente já saiu com ele, e você sabe como ele é. E você sabe o que vamos fazer.
- Sim filha, mas você vai sair pra caçar com este menino, sozinha.
- Idai?! – Até meu pai por mais tapado que fosse percebe que eu tenho uma queda por ele, desde sempre – por favor... – Papai bateu duas vezes com o dedão em sua testa. Ele fazia isso sempre que tinha que tomar uma decisão difícil e rápido. É uma das coisas que eu puxei dele.
- Ta bom...
- Ahh, obrigada, obrigada – Abracei ele. Peguei meu arco e andei rápido até Drew.
- Ta pronta? – Perguntou ele.
- Uhum.
- Legal – Ele começou a andar mata a dentro, e eu o segui. Essa é uma rota que fazíamos sempre que eu ia para a casa de campo com a família. Quando eu chegava, Drew já estava me esperando para irmos caçar juntos. É um hobbie bem pessoal, eu caçava com minha mãe também, até porque foi ela que me ensinou a atirar flechas. Mas não tinha sensação melhor do que caçar com Drew, não acho que seja por caçar, mas sim por estar com ele. Tinha alguma coisa que em sua atmosfera que deixa tudo mais agradável. Segurei o ombro dele e o fiz abaixar atrás de um arvore. Ele olhou nos meus olhos e eu nos dele, bati dois dedos duas vezes no meu ouvido e apontei para direita com o dedo indicador. Ele entendeu. Mirou por entre os arbustos e atirou a flecha. Sua flecha passou por entre a folhagem da floresta e parou no pescoço de um veado. Eu atirei a segunda flecha, que parou na cabeça do animal – Não existe absolutamente ninguém com a percepção melhor do que a sua.
- Existe sim, meu irmão é bom nisso – Respondi, me levantando.
- Eu ainda acho você melhor - ele olhou pra mim sorrindo. E eu abaixei o rosto e sorri timidamente enquanto andávamos até o animal caído. Tirei a flecha e coloquei-as de volta nas mochilas – Vem cá – Drew estendeu sua mão pra mim – tem um lugar que eu gostaria de te levar – Segurei sua mão surpresa, e me deixei ser guiada – Eu sempre venho aqui, quando tenho muita coisa pra pensar – Disse Drew algum tempo depois. Quando chegamos a uma cachoeira. Eu nunca soube que tinha uma dessas aqui – O som da água e o ar puro parece que alivia – Ele segurou minha mão com mais força e me ajudou a sentar numa pedra, depois sentou ao meu lado – As vezes quando eu to confuso – Continuou olhando nos meus olhos com aquele olhar forte, e com seu rosto perigosamente próximo ao meu – ou quando minha mãe me enche o saco, ou...
- Ou o que?
- Ou quando eu sinto sua falta – Meu coração nunca bateu tão forte. Ele segurou meu rosto e me deu um beijo.


Dias atuais.
Peguei o pote de água do Buddy e coloquei no meu colo, coloquei água neste e Buddy que estava no assoalho do carro bebeu tão rápido que espirrou água em mim. Sam parou o carro numa rua qualquer, ascendemos a lanterna com a luz baixa.
- Vai com calma cara – Coloquei o pote de água vazio em baixo da minha poltrona e abri um saquinho de salgadinho, comecei a comer dividindo o pacote com Buddy.
- Será que ainda tem algum amigo nosso vivo? – Perguntou Sam – nossos vizinhos da casa de campo talvez?
- Eu só tinha um amigo lá – Sam olhou pra mim e sorriu, eu encolhi meus olhos. Ele esticou os pés por cima do volante, e continuou comendo o salgadinho dele.
- Será que ele está lá?
- Acho que sim – Disse sem emoção, mas não posso negar meu coração bateu um pouco mais forte – Ele não morreria tão fácil.
- É acho que não – Sam sorriu, aquele sorriso todo alegre que eu amo. Eu fechei minha mão e apertei com força. Eu devia ficar feliz quando meu irmão sorri desse jeito, mas a verdade é que meu coração aperta e eu me sinto culpada. Eu deveria dar a Sam uma vida digna de ser vivida com felicidade, não essa droga que temos que ficar viajando todo tempo. É por isso que temos que chegar na casa de campo. Chegar num lugar nosso, onde podemos ficar tranqüilos. Onde teremos animais para comer, e um poço de água – Porque ta me olhando desse jeito?
- Nada – Buddy pulou em mim e passou pro banco de trás, joguei o saco do salgadinho na rua, depois fechei a janela novamente.
- Sabe... – Sam jogou seu lixo pra fora também– Eu sinto falta do seu sorriso – Olhei pra ele sem entender.
- Como assim? Eu sorrio.
- Não como antes...
- Eu nunca fui tão sorridente, Sam. Você foi sempre o raio de luz da casa.
- Mas o seu sorriso era o mais bonito. Eu gostava de quando você sorria comigo, quando você brigava ou cuidava de mim, quando a gente fazia coisas juntos e nos tratamos com carinho ou quando você me batia. Eu sinto falta da gente.
- Sam...
- Tudo bem... É um apocalipse certo? Não temos tempo pra esse tipo de coisa... – Abaixei meu olhar.
- Eu sempre tento ser a melhor. Eu vivo pra proteger o Buddy e você. Nada mais importa.
- Eu te protejo e o Buddy também. A gente é uma família, certo? – Eu fechei meu punho com mais força. Sorri sem mostrar os dentes, de um jeito aliviado. Sam abriu aquele sorriso de novo.
- Certo.
- É... Não é bem um sorriso, mas pelo menos não ta com aquela cara fechada de sempre – Revirei os olhos. Estática.
- Aranha? – Sam pegou o walkie talkie.
- Tio Ben?
- Benjamin deixa eu falar com eles... Espera Charllote!... Amores? Filhos?
- Oi mãe – Respondi.
- Oi mãe! – Disse Sam.
- Vocês tão bem? Tão dormindo bem? Comendo bem? Bebendo muita água?
- A gente ta legal mãe – Respondi – Sam dorme mais do que tudo, comendo e bebendo só quando achamos alguma coisa.
- Mas e você minha filha? Tem dormido? – Não disse nada.
- Ela não dorme mãe. Não sei porque, não gosta.
- Lola não gosta de dormir? HÁ! Essa é nova – Ouvi a voz do papai no fundo – David não seja indelicado! Charllote, me devolve esse walkie talkie – Disse tio Ben – Mas Benjamin... Crianças?
- Fala tio Ben – Disse Sam.
- Durma Maravilha, porque se não, não terá forças para matar os vilões.
-Tudo bem tio Ben – Eu olhei no espelho. A cada dia que passava eu ficava pior. Meus olhos estavam com tantas olheiras que ficavam quase pretos. Eu estava mais magra do que o aconselhável, eu estava deplorável. Mas a questão é que, não é que eu não queira dormir, é que eu simplesmente não consigo. Sempre tenho pesadelos, é horrível. Sam me olhou com atenção e depois ouvi responder:
- Ela está tão Maravilha tio Ben, mas continua bonita.
A noite passou e estava tudo tão calmo. Buddy ficava acordado como sempre, para vigiar. Eu o treinei bem, ele é quase tão bom quanto um cão da policia. Ele vigia durante a noite e se alguma coisa estiver errada ele bate a pata em mim ou me lambe. Ele ataca quando vê ameaça, e não deixa estranhos se aproximarem de nós. E o melhor, ele não tem medo de zumbis.
O dia amanheceu e nós voltamos pra estrada.
- POR FAVOR! PAREM! PARA! POR FAVOR! – Sam parou o carro abruptamente, ele ficou assustado quase não conseguia respirar.
- Mas que porra...? – Especulei. Um casal, eles correram para o lado da minha janela completamente desesperados e disseram.
- Por favor, levem a gente com vocês. Nos levem junto! – Buddy levantou no banco de trás e ficou observando com atenção.
- Desculpe, o grupo ta completo – Respondi com tranqüilidade.
- Nós podemos ajudar! Nós ajudaremos! – Disseram gritando.
- Não precisamos de ajuda – Virei meu rosto pra frente - Se ajudem.
- Por favor!  - O homem segurou meu braço com força. Voltei meu olhar pra ele, Buddy rosnou, o homem olhou com medo pra ele. Senti o ar de Sam mudar, de assustado para irritado.
- Não tem lugar pra vocês aqui – Disse.
 -Mas... – Buddy latiu. Clique.
- Cara, se afasta da moça – Sam apontava uma arma pra ele. Eles se afastaram do carro, e Sam acelerou – Você viu a pele deles?

- Vi.  Eles tão se transformando – Peguei a arma de Sam e atirei na cabeça dos dois.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Tudo muda.

-Lola - Escutei a voz de Sam vindo de longe até meus ouvidos – Lola – senti meu corpo balançar – Lola!
- Oi – Disse coçando meus olhos.
- Pensei que não fosse acordar nunca.
- O que você ta fazendo no meu quarto pirralho?
- Ei! Eu sou apenas 1 ano mais novo que você – Disse Sam adotando um rosto contente, e desafiador onde ele levantava seu queixo e sua sobrancelha esquerda, fazendo seus olhos castanhos claros brilharem mais do que o habitual.
- Eu 14 você tem 13. 13 pirralho, 14 maneiro. Entendeu?
- Cala boca – Eu soltei uma risada e depois suspirei. Deitei minha cabeça no travesseiro. Sam levantou da minha cama, abriu as cortinhas e uma fresta na janela deixando o ar frio do inverno de Nevada entrar. Puxei o cobertor para mais perto do rosto.
- Então, a que devo o prazer de sua visita tão cedo? – Disse com um ar irônico.
- Ah sim... Quase me esqueci. A tia Trisha e o tio Ben te trouxeram um presente – Tirei o cobertor e levantei de um salto da cama.
- O tio Ben ta lá em baixo? – Perguntei sorrindo colocando meu roupão e as pantufas pretas – Porque não disse logo? – E dei um tapa na parte de trás da cabeça de Sam antes de sair do quarto correndo.
- Oh... Ai está ela! – Disse tio Ben, seus cabelos grisalhos brilhavam com a luz gélida do sol. Sua pele já flácida caia sobre seus pretos olhos cansados. Mas seu sorriso jovial nunca saia de seu rosto. Corri até ele e lhe dei um abraço.
- Faz tempo que não nos vemos.
- Verdade... E para compensar isso, te trouxe uma coisinha – E com mão estava escondida atrás de seu corpo, tio Ben me estendeu um filhote de husky siberiano preto. Arregalei meus olhos e abri minha boca. Segurei o filhote na minha mão, fazia tanto tempo que eu clamava por um desses para os meus pais. Ajoelhei no chão, e o coloquei em cima do tapete.
- Oi amigão... Você é lindo.
- Foi ideia da sua tia – Disse tio Ben, com uma expressão divertida, com aquele sorrisão no rosto. Tia Trisha estava curvada olhando algumas fotos na mesa.
- Tia Trisha você sabe que você é a melhor tia não sabe? – Disse sorrindo, com o maior sorriso que uma pessoa poderia fazer. Ela sorriu pra mim, com verdadeira ternura. Sua pele já começando a enrugar não nos impedia de ver seus olhos castanhos. Seus lisos cabelos também castanhos caiam sobre seus ombros. Era um mulher de classe, devo acrescentar. Era assustadoramente parecida com sua irmã, Charllote Prize, também conhecida como minha mãe. Já meu pai, tinha cabelos pretos quase grisalhos, pele bronzeada e olhos verdes. Como os meus. Simplificando, meu irmão pegou a parte da minha mãe da família e eu a do meu pai – Ai! – Disse passando a mão na parte de trás da minha cabeça.
- Vingança gatinha – Disse Sam. Revirei os olhos – Ah... então esse cachorrinho era é surpresa tio Ben?
- Sim Aranha – Tio Ben gostava de nos chamar como super-heróis. Já que seu nome é Ben como o tio de Peter Parker, ou seja, homem aranha, ele chamava Sam como o herói. E a mim de Maravilha, se referindo a Mulher Maravilha.
- E qual vai ser o nome? – Perguntou Sam, olhando para mim enquanto passava a mão no husky. Pensei um pouco enquanto passava os olhos pela sala. Me sentia bem, segura, feliz, aqui. Meus pais me olhavam orgulhosos enquanto se abraçavam, e tio Ben e tia Trisha também esperavam ansiosos. Nos olhos de Sam eu sentia o calor de sua felicidade emanando dele. Voltei meus olhos para o cachorro. Que botou a cabeça para cima me encarando, pensei na hora que o peguei. Eu disse “Oi amigão...” talvez devesse ser o nome dele.
- Buddy... Seu nome vai ser Buddy – Sam sorriu.
- Nome legal – Tia Trisha voltou seu olhar para a mesa de fotos. Tinha uma que estava eu e minha mãe caçando um veado numa floresta próxima a casa de campo, minha mãe me observava na foto enquanto eu mirava com o arco e flecha, era um hobbie meu e dela. Na outra estava meu pai segurando Sam no ombro depois de ele ter ganhado no campeonato de natação. Em outra tinha nós dois com papai na sala de treinamento de tiro, dentro da policia que era onde ele trabalhava antes de achar um poço de água em quanto cavava para plantar uma arvore no jardim da casa de campo. Porem tia Trisha focou em uma foto.
- Parece que alguém ganhou uma medalha no kung fu... – Sam sorriu timidamente pra ela – E você Lola, já foram as finais do campeonato?
- Semana que vem – Meu coração disparou só de lembrar. A um mês eu já me tornei uma das melhores da turma de kung fu, o que significa que eu fui classificada para encarar o campeonato onde eu tenho que ganhar o troféu de numero um.
- O meu campeonato começa daqui dois meses! – Disse Sam se levantando – e eu vou acabar com aqueles idiotas – ele começou a desferir alguns golpes no ar como se estivesse lutando – vou fazer assim... e depois derrubar eles no chão assim... E depois...
- SAMUEL! – Gritou minha mãe depois que Sam deu um chute no ar fazendo o abajur cair e quebrar.
- Opa... – Eu comecei a rir, tio Ben e tia Trisha riram, papai riu, mas a mamãe não. Ela ficou bem brava.
3 anos depois...

- Você ta pronta? – Perguntou Sam. Era de noite, nós estávamos no carro que Sam ganhou dos nossos tios ano retrasado. Chovia, chovia muito forte. Buddy estava sentado, observando comigo o lado de fora da janela, eu segurava sua coleira de couro grossa que continha seu nome. Buddy cresceu muito, sua cabeça fica junto a minha enquanto ele esta em meu colo – Será que eles...
- Provavelmente – Respondi. Muita coisa mudou, a dois anos meus pais foram para Los Angeles com meus tios, alguns meses depois tudo começou e eles não retornaram. Os celulares não funcionam mais então nos comunicamos com um antigo walkie talkie da policia que meu pai tinha guardado. Agora somos apenas eu, Sam e Buddy. Agora eles são tudo que importa.
- Lola – Chamou Sam.
- Que? – Perguntei.
- Podemos ir? – Tirei meus olhos da loja e foquei nos olhos amedrontados porem firmes do meu irmão.
- Claro – Descemos do carro levando nas costas a chuva agressiva diretamente, segurava com força a coleira de metal de Buddy. Ele olhava para os lados vendo se alguém, ou alguma daquelas coisas estava por ai, mas não estavam. Sam se pôs na frente da loja, eu e Buddy na lateral. Segurei a faca, e bati com ela no sino da porta da loja. Esperamos alguns segundos, e lá vinha. O zumbi. Sam se manteve firmemente parado enquanto eu enfiava a faca na cabeça da coisa – Rápido – sussurrei. Peguei uma lanterna do cinto, diminui a luz e subi as escadas com Buddy. Sam pegou sua lanterna diminuiu a luz e começou a passar pelas fileiras de mercadorias. Em silencio eu enfiei a faca na cabeça de três zumbis, e depois me ajoelhei na grade de proteção da parte de cima da loja, mirei a luz para baixo e a apaguei e acendi duas vezes. Era o sinal para Sam, avisando que em cima tudo limpo. Eu guardei a faca, e fiquei observando com a luz da lanterna. Ao meu lado, Buddy ofegava com a língua pra fora. – Eu sei cara – Sussurrei eu seu ouvido – eu também to com cede – Sem olhar para ele passei a mão em sua cabeçona, foquei em Sam. Está tudo muito bagunçado lá em baixo, mercadorias no chão, estragadas, espalhadas, o cheiro era horrível. Comida podre e carniça. Sam pegou a água que sobrava, e a comida que não tinha a tanto tempo passado da validade e colocou tudo dentro de uma mochila. “Merda” pensei. Ele se virou pra mim piscando a lanterna duas vezes. Eu mirei e atirei a flecha a 3 centimentros de seu rosto. Levantei correndo, segurei com mais força a corrente de Buddy e desci escorregando o corrimão da escada. Alguns dos zumbis saiam de baixo da mesa, pratileira, de trás da porta e isso fazia tanto barulho que chamava a atenção de outros. Sam ligou o carro e eu entrei.
- Essa passou perto – Disse Sam.
- É... A gente não daria conta se os outros chegassem – Disse sem mudar a expressão.
- To falando da sua flecha. Ficou louca? Podia ter acertado em mim, você não tinha boa visibilidade e...
- Eu sou boa em atirar flechar Samuel. Relaxa, eu não iria errar.

- Ta bom... – Disse descrente. A verdade é que eu tenho sido mais fria com tudo, principalmente com Sam desde que eu vi a primeira pessoa morrer e se transformar. Eu só queria que tudo voltasse a ser como era... Talvez depois que chegarmos na casa de campo... Talvez, possa dar certo. Mas a verdade é que eu sei que... Tudo mudou. E não vai voltar ao normal.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Capitulo 14 – Who I am.

Emily me ajudou a subir, mas eu já não sabia o que fazer. O que é estranho, porque eu sempre sei. Eu olhava para Austin e tudo que eu sentia por dentro ele demonstrava por fora, estava completamente devastado. Ficamos alguns segundos em silencio até ele dizer:
- Amora conseguia me tirar do sério, e seu idiota. Mas ela era forte e corajosa e eu sempre admirei isso nela.   
-Austin... Eu não quero ser indelicada mas, precisamos ir.
- Eu sei – Ele respirou fundo vamos lá – Eu coloquei a mão em seu peito e olhei no fundo de seus olhos.
- Eu sinto muito.
- Eu sei que sim – Odeio quando ele faz isso. Austin sempre compreende, as vezes eu só quero que ele grite ou brigue comigo mas ele nunca faz isso. Ele sempre entende. Eu me sentia mal, eu deveria ter ido no lugar de Amora. Mas agora vai adiantar falar isso? Eu deveria ter pensado melhor, enquanto ela estava viva. Agora já era.
- Caramba! Que demora foi essa?! – Perguntou Dylan – Cadê Amora? – Eu balancei a cabeça negativamente. Todos se calaram. Descemos do duto direto na ala restrita. E ali estava, um portinha que ligava um “escorregador” de lixo até a lixeira.
- Vamos nessa – Disse Link.
- Só mais uma coisa – Eu disse, puxei minha arma e atirei na cabeça de Ryan.
- NÃO! – Emily segurou ele enquanto ele caia e sangrava em seu colo. Engraçado, não sinto remorso. Não sinto nada – PORQUE VOCÊ FEZ ISSO?!
-Cheque os bolsos dele – Link e Mike me olhavam de boca aberta. Emily me olhou com os olhos inchados de lágrimas, depois olhou nos bolsos dele. E tirou uma faca de lá. Agachei e tirei de seu ouvido uma mini escuta com câmera – Ele estava grampeado.
- O que? Não... Ele, ele ia ajudar a gente. Ele não é como os outros – Disse Emily, balançando a cabeça.
- Eu também achava isso, até eu passar pela sala de Phil e ele estava conversando com alguém, por escuta. Phil não podia nos deixar sair daqui, e já que não podia nos deter estava autorizado a matar. Então...
- Ryan nunca nos mataria – Disse Emily.
- Isso não vamos mais saber – Dylan estava me olhando diferente, parecia até com orgulho.
- Gosto quando você da uma de espeta – Disse ele.
- Traidorzinho de merda – Disse Mike. Ele se virou, pegou sua mochila e pulou no escorregador. Link foi depois, e então Dylan.
- Emily vamos – Ela não respondeu, ficava acariciando os cabelos de Ryan, deixando suas lágrimas pingarem no rosto dele, sua respiração tranqüila fazendo seu corpo subir e descer e foi ai que eu percebi. Virei meu rosto para Austin e dei sinal para ele descer, e ele o fez – Você não vai vir, não é? – Ela balançou a cabeça – Não vou conseguir te convencer não é? – Ela balançou a cabeça de novo – Tudo bem. Boa sorte Emily.
- Pra você também – Eu virei as costas pensando se isso é o certo a ser feito, e desci. Eu consegui ouvir Phil gritando de raiva, e Emily gritando de dor. Pensei em voltar, mas agora já era tarde. Cai no lixo e Austin me ajudou a sair.
- Argh, que nojo – Disse tirando lixo de cima de mim. Austin afastou o cabelo do meu rosto e disse:
- Você continua linda – Eu dei um sorriso tímido e Austin puxou meu rosto e me deu um beijo.
- Hmmm, já tava demorando – Ouvi Link dizer, Austin sorriu. Estavam todos dando risada, essa é a vantagem de viajar com homens, eles sempre fazem você rir. E agora eu sou a única mulher aqui.
- Eu estava começando a pensar quando isso iria acontecer – Disse Mike.
- Austin, pode ficar tranqüilo porque eu aprovo – Disse Dylan rindo.
- Haha muito engraçado – Disse sarcasticamente e meio envergonhada. Ouvi um barulho, os sorrisos de desfizeram, e a realidade nos atingiu como um tapa – zumbis – sussurrei. Tirei minha faca do cinto, percebi que aqui fora está tão ruim quando lá dentro. A neve cobria todo o chão, o que encobria o barulho dos zumbis e diminuía nosso ritmo.
- Qual o plano? – Perguntou Link.
- Dar o fora. Dylan você arruma um carro e a gente te da cobertura – Ele assentiu, e começou a andar. Eu fui atrás dele e Austin na esquerda,Link na direita e Mike corria na frente. Os zumbis estavam todos aglomerados correndo atrás de nós. Austin passou o machado na garganta de um zumbi  fazendo seu sangue espirrar na sua camiseta, enfiei a faca na barriga de outro ele se inclinou e eu enfiei na cabeça dele. Olhei pra trás Dylan tinha entrado dentro de um Sandero, eu escorreguei na neve, bati a cabeça na traseira do carro, minha testa começou a sangrar pingando no chão. Os zumbis pararam.
- Dallas! – Austin agachou e olhou minha testa, os zumbis farejaram o ar e depois atacaram mais sedentos do que nunca.
-Eles querem meu sangue – Sussurrei. Austin segurou firme o machado e levantou decepando a cabeça de um zumbi. Eu olhei para direita e vi lá no fundo um corpo – eu tenho um ideia – peguei minha faca e cortei minha mão no meio.
- O que você ta fazendo?! – Levantei e corri. Ouvi o carro ligar, Dylan conseguiu. Corri rápido, Os zumbis vinham mais rápido ainda. Passei minha mão numa arvore, alguns deles pararam e ficaram lambendo a arvore. Um deles pegou minha perna, eu conseguiu sentir o álito frio do errante na minha nuca, e pelo canto do olho via seus dentes podres e língua quase tocando meu rosto. Puxei a língua dele e cortei com a faca. Depois enfiei a faca em sua cabeça. Outros caíram em cima de mim, eu comecei a me rastejar no chão. Deixando um rastro de sangue sobe a neve branca. O corpo estava ali, uma mulher tão magra que provavelmente morreu de fome. Seu rosto ainda tinha cor, morreu agora, então seu sangue ainda está fresco. Passei minha mão na perna da mulher, consegui me levantar. Cortei o braço dela, e segurei um galho de arvore. Os errante pegaram o braço da mulher, e de repente estava todo aquele aglomerado em cima da pobre coitada.
Subi na arvore e pulei para outra enquanto os zumbis estavam ocupados com a mulher morta. Corri de volta, e eles estavam esperando por mim.
- Você é maluca, sabia? – Perguntou Dylan.
- Completamente insana – Disse Mike.
 -Adoro isso em você – Disse Austin, ele sorriu e passou gazzi na minha mão. Abracei ele, não adianta a onde formos a situação vai ficar cada vez pior. Mas isso não impede que lembremos qual o significado da palavra “amor”.
-Então caras – Disse indo até o carro, e abrindo um red Bull que eu tinha pegado dentro da Island Hope Corporation – onde querem ir agora? – Eles se entre olharam.
- Hollywood? – Perguntou Link. Eu sorri pra ele.
- Los Angeles então – Entrei dentro do carro. Austin no banco do passageiro como de costume, ele começou a olhar dentro do carro e achou uma caixinha de som a pilha. Ele plugou um pen drive na caixinha e começou a tocar Back In Black do Ac\Dc. Eu sorri, nunca pensei que fosse ouvir musicas de novo. E essa é perfeita.
Eu me sentia bem, porque por mais que parece estranho eu vivia cada dia como se fosse o ultimo. Um passo de cada vez. Apesar de saber que nenhum de nós é feliz como costumava ser, agora estamos bem. Cada um tem que lidar com seus próprios demônios, não podemos deixar os fantasmas do passado nos atormentarem, porque no final nossos próprios inimigos somos nós mesmos.
Pela primeira vez eu sabia, quem sou eu. Eu sou Dallas Kingsley, uma sobrevivente.





Fim.

terça-feira, 30 de julho de 2013

Capitulo 13 – Have a little faith.


Eu conseguia ouvir os passos dos guardas a nossa direção:
- Tudo bem,sabem aquela garotinha loira lá na ala da alimentação? – Eles assentiram – ela tem uma mini escuta com câmera no ouvido, não chega perto dela.
- Não é mais fácil a gente simplesmente ir embora? – Perguntou Mike.
- Eles estão fazendo testes com humanos, você acha mesmo que vão deixar a gente simplesmente sair? – Perguntei me irritando, guardas se aproximando – eu preciso de vocês na ala da medicina em vinte minutos! – Joguei meu cartão de passe para Austin. Os guardas entraram, agarraram meus braços e me arrastaram pra fora do quarto – MAS QUE POR...
- SOLTA MINHA IRMÃ! – Dylan veio correndo atrás do guardas.
- Dylan é melhor você ficar! – Ouvi Phil dizendo.
- PHIL O QUE ESTA ACONTECENDO?! – Gritei.
- EU NÃO SEI! – Gritou ele em resposta – VOU TE TIRAR DE LÁ DALLAS! – Um tempo depois eu perguntei.
- Porque estou sendo presa?
- Não nos falaram nada – Respondeu o guarda, eu dei um sorriso discreto. Eles me jogaram numa cela entre Nolan e Aiden, e quando já tinham fechado a porta eu perguntei.
- Vocês são Aiden Campbell e Nolan Flint?
- Sim – Responderam.
- Dallas Kingsley.
- Ta de brincadeira – Vi um sorriso no rosto dos dois, Nolan e Aiden são filhos de amigos do meu pai, eu brincava com eles direto quando éramos crianças, não estava nos planos, mas não posso deixá-los aqui.
- Tão vendo essa grade de proteção em cima? – Perguntei me levantando – Quando eu disser “já” puxem com toda sua força.
- O que?! – Perguntei Aiden.
- Só faz o que eu to falando – Agarrei a grade, meu braço e costelas estão bem melhores, - Já – puxei a grade com toda força que eu consegui juntar, as grades são enferrujadas, se juntar muita força e determinação consegue quebrá-las. A grade caiu, minha respiração estava acelerada, e meu coração batendo forte. Não acredito que vou ter que entrar num duto de novo.
- A gente vai fugir. Como eu nunca pensei em passar pelos dutos de ar? – Disse Nolan.
- Aiden, sobe você primeiro e me ajuda aqui.
- Tudo bem – Respondeu ele, ele subiu com facilidade, Aiden é o mais alto de nós, ouvi ele rastejando até estar acima de mim e me puxar, depois puxou Nolan também – E agora?
- Por aqui – Me rastejei até o final do duto e virei um curso, passei por um grade de proteção do quarto de Phil.
- Essa garota sabe de tudo, e começa a me irritar – Dizia ele - se depender de mim, ela não sai daquele lugar mais – Revirei os olhos e voltei a rastejar, virei num duto e depois no outro, ouvi um grito. Olhei pro lado.
- Fiquem ai – Sussurrei.
- Dallas – chamou Nolan, olhei pela grade de proteção. Austin.
- Onde você conseguiu isso? – Um homem de cabelos grisalhos, Chris. Austin estava preso a uma cadeira, Chris a cada vez que perguntava e não obtida resposta arranhava Austin com uma faca no braço, Chris segurava o cartão de passe. Droga, o que eu fiz?
Me virei para Nolan e Aiden.
- Continuem reto e virem a direita, vocês vão ver pessoas na sala dos médicos. Ajudem eles a entrar e me esperem.
- O que você vai fazer? – Perguntou Aiden.
- Se eu não voltar em 10 minutos, sigam reto sem mim.
- O que? Não! – Nolan me segurou, eu dei as costas pra ele e chutei a grade de proteção, ela quebrou na primeira desci dentro da sala. Chris se assustou, ele abriu a boca pra gritar e eu soquei seu rosto, ele cambaleou tonto e esse foi o tempo de eu pegar sua faca. Ele pegou um cassetete, e bateu no meu rosto.
- DALLAS! NÃO! – Ouvi Austin gritar. Senti meu olho inchar, eu estava caída no chão de olhos fechados só conseguia ouvir os passos de Chris, ele vinha em minha direção, virei rápido no chão me apoiei com os dois braços no chão e chutei seu rosto, ele vinha pra cima de mim e eu enfiei a faca na sua barriga. Senti seu sangue escorrer pela minha mão e vir pelo meu braço, olhei em seus olhos vi os sonhos, ambições, desejos se esvaírem deles. A vida fugia dos olhos de Chris, e tudo que vinham neles era surpresa, ódio, agonia, dor, a cor sumiu, ele caiu de joelhos no chão me levando com ele. Eu puxei a faca e ele caiu, de olhos fechados.
Meu Deus o que eu fiz? Mato vivos agora? Uma vez eu disse “sem humanidade somos apenas zumbis com o coração batendo” será isso que eu sou? Ou será que nem coração eu tenho? Eu estava com uma sensação horrível no estomago, minha cabeça trabalhava fervorosamente para me lembrar de que não sou uma pessoa ruim, mas eu já não acreditava mais nisso.
Matei uma pessoa, estamos num apocalipse zumbi e os maiores inimigos são os humanos, qual a diferença entre Chris e um zumbi qualquer? Os dois queriam me matar, mas Chris tinha escolha. E ele escolheu me matar. Era ele ou eu, e se eu morresse Austin também.
-Dallas? – Ouvi a voz de Austin muito distante, olhei meu reflexo na poça de sangue e não me reconheci, deve ser porque o sangue que eu tinha nas mãos não era meu. Quando se mata um zumbi você fica na cabeça “eles não são humanos” “eles são monstros” para nos convencer que o que fazemos não é errado. Eu não sei mais o que é errado. Agora, quando se mata um humano uma parte de você se quebra. A parte do “escrúpulos”. Será que vale uma vida pela outra? Matar um e salvar outro? Acho que sim quando se trata de salvar uma pessoa boa como Austin, e matar alguém ruim como Chris. Mas eu nem o conhecia, então como vou saber se ele merecia morrer? – Dallas? – Existe isso que merecer morrer? – Dallas? – Olhei para Austin, quando finalmente o ouvi. Sacudi a cabeça para afastar todo tipo de pensamento e me levantei, usei a faca para cortar as amarras de Austin. Ele olhou meu olhos, e depois me abraçou. Incrível como um abraço de Austin pode curar qualquer ferida que seu coração guarda.
- Você ta bem? – Perguntei.
- Eu to legal – Eu respirei fundo.
- Vai sobe ai – Ele assentiu e subiu – temos 5 minutos, antes que venham atrás de nós. O que diminui nosso tempo de sair desse lugar.
- Vem – ele estendeu o braço pra mim, eu peguei gazzi que tinha na mesa e subi.
-Desculpa por te por nisso – Disse enrolando a gazzi no braço dele.
- Tudo bem, não foi sua culpa.
- Isso que aconteceu aqui... Vai atrasar nossa missão– Comentei.
- A gente consegue.
- Não sem uma distração.
- Mas você tem uma ideia – disse Austin.
- Claro, vamos – Ele foi rastejando até de mim, e viramos a direita estávamos todos no duto, incluindo Emily e Ryan – Olha, aconteceu um... Acidente lá atrás. Não vai ter som, então vão entrar lá em 5 minutos então precisamos de uma distração.
- Eu vou – Disse Amora – eu faço a distração.
- Amora... – Disse Austin.
- Eu vou! – Ela estava determinada.
- Você precisa voltar e subir aqui e depois é tudo muito rápido – eu respondi – você tem certeza? – Ela assentiu.
- Austin, eu sei que desde que Lola morreu você e eu não temos conversado muito...
- Não... – Ele disse.
- Me deixe terminar – Ela disse – eu vou fazer isso, e me redimir com você.
- Não precisa disso – Disse Austin.
- Então, eu vou me redimir comigo. E pra mim isso é necessário – Amora olhou pra mim, e me abraçou – cuida dele – sussurrou ela. Era como se ela soubesse que ia dar errado, e que não voltar. Tenha um pouco de fé.
- Eu te dou o sinal e você distrai – Eu disse. Ela assentiu e desceu.
Esperei um pouco e bati de leve, três vezes na parte de fora do duto. Amora saiu da sala, eu a ouvi gritar.
- AI! SEU ÓTARIO – Fechei os olhos, ouvi ela andando rápido e com passos pesado, um barulho oco ela deu soco no rosto de alguém.
- Vão – Eles começaram a rastejar, estava tudo quieto. Até que, a porta abriu com violência e Amora entrou deslizando caída no chão. O cara tinha em direção a ela, já tinha o visto antes, cabelos cacheados, olhos injetados, eles estava elétrico. Drogado.
O homem pegou uma  seringa, Amora pegou um vaso de vidro e quebrou na cabeça dele. Ele caiu, e injetou o liquido transparente na perna de Amora. A camuflagem.
Amora caiu instantaneamente no chão, teve um ataque epilético, espuma verde saindo de sua boca, seus olhos estavam injetados agora. O homem se assustou e saiu correndo. Austin ficou paralisado, mau conseguia respirar, eu desci, e procurei um antídoto, mas não tem nada disso aqui.
- NÃO TOCA NELA! – Disse Emily – SE TOCAR, VOCÊ SE CONTAMINA! – Queria abraçar Amora, dizer que ia ficar tudo bem apesar de saber que não vai, queria passar a mão em seus cabelos, queria tocar nela.
- Dallas por favor não a toque... Já perdi ela, não posso te perder também –  Austin respirava suave, e chorava silencioso, limpava as lágrimas para que ninguém visse mas eu vi. Amora tremia, ficava pálida, realçando seus cabelos ruivos. A pior parte,foi quando ela parou de se mexer. E seus olhos continuaram abertos, espuma escorria se seus lábios, e seu coração parou de bater. Peguei uma luva, coloquei, fechei seus olhos.
Tem momentos na vida que a gente para e pensa “como pode piorar?” tem momentos que a está tudo tão ruim, que você não consegue lembrar de dias melhores. Tem dias que as coisas estão tão escuras que você não consegue enxergar a luz. É incrível como um dia ótimo pode ser destruído por causa de uma pessoa. Como uma pessoa fazendo a escolha errada acaba com tudo. E quando você estiver em um desses dias lembre-se: Não é vingança se você faz uma pessoa tomar do seu próprio remédio, é apenas dar o troco.

Tudo que eu quero agora é sair daqui, porque entre pessoas e zumbis definitivamente eu prefiro zumbis.