sábado, 20 de julho de 2013

Capitulo 7 – And get worst.

Essa é a situação mais ridícula que eu já passei, já fui presa uma vez. Eu fui pega pichando um muro, uma obra de arte que os policiais não apreciam, meus pais ficaram decepcionados comigo. Esperaram a noite toda pra me tirar de lá, mas depois pagaram a fiança. Sentei no chão, fiquei pensando. Pensando em que exatamente, eu não sei dizer.
- Dallas, você ta bem? – Austin correu escada a baixo e segurou nas grades. É estranho ver Austin nessa perspectiva, ele todo preocupado comigo, tentando sempre me ajudar, tomando conta de mim. E ele é bonito, muito bonito. O que eu to pensando? Para Dallas,concentração.
- Considerando a situação, eu to bem sim.
- Austin, eu não consigo pegar a chave – Dylan desceu correndo – O que a gente faz?
- Nada – Respondi.
- O que? – Perguntaram os dois num uníssono. Eu peguei minha faca no abdômen e entreguei pro Dylan.
- Eu não vou conseguir sair daqui, quando Lola se transformar mate-a Dylan – Ele me olhou cético, e depois assentiu.
- Você vai ficar bem aqui? – Perguntou ele.
- Dylan eu to numa jaula, nada entra. Nada sai – O problema é esse. Não da pra sair, não da pra proteger meu irmão aqui dentro. Então ele vai proteger a si mesmo.
- Tudo bem então - Agarrei as grades, Dylan passou suas mãos nas minhas. Ele piscou pra mim, sorriu e subiu correndo as escadas. Austin sentou no chão e apoiou as costas na grade. Eu fiquei com pena dele, Dick morreu ontem e daqui a pouco sua irmã também vai. Você não sabe como é difícil perder alguém até perder. Sentei no chão e encostei as costas na grade ao lado dele.
- Como você se sente?
- Como se eu tivesse numa caixa, e ela estivesse encolhendo. Me sinto sufocado – Ele deu uma pausa – meu coração arde. Porque existe dor?
- Para que nossa humanidade fique integra, só com dor sabemos o que é certo e errado.
- E pra que humanidade?
- Sem humanidade somos apenas zumbis de coração batendo – Austin não respondeu, só abaixou a cabeça – Você vai ficar bem – Ele assentiu.
- Você ficou bem? – Eu não sabia o que responder, a verdade é que Bryan deixou um buraco no meu coração. Mas antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, um grito. Austin levantou de um pulo.
- AMORA! – Ele subiu correndo as escadas. Eu me levantei, Dylan gritou. Ouvi um barulho de metal caindo, a arma.
- DYLAN! – Começou. Chutei a porta da jaula, chutei de novo, e mais uma vez.Tudo que fez foi mover a jaula, nada mais. Comecei a andar de um lado pro outro, falando comigo mesma – O que eu faço? – Mike apareceu, subindo as escadas do terceiro piso pro segundo.
- O que está acontecendo aqui?
- Você é minha salvação – Disse sorrindo e segurando as barras da jaula, Mike sorriu.
- Já ouvi isso – Revirei os olhos e me afastei das barras.
- Me ajuda?
- Claro – Tente me soltar das algemas, mas só consegui machucar meus pulsos. Voltei a andar de um lado pro outro, falando comigo mesma. Grito,olhei pra cima. Dylan.
- A velocidade vezes a intensidade da minha perna mais a força da barra...
- O que? – Perguntou Mike confuso.
- Duas pernas – Olhei para Mike – Você está com a arma ai?
- To.
- Quando eu disser “já”, você bate na tranca – Ele assentiu. Ergui minhas mãos e segurei o teto da jaula, respirei fundo – Já! – Puxei meu corpo pra cima e chutei a porta com as duas pernas. Meu braço quebrado doeu tanto que pensei que quebraria de novo. A porta abriu, cai no chão.
- Tudo bem? – Mike me ajudou a levantar.
- To, obrigada. Me empresta sua arma? – Ele me entregou a arma dele, e eu subi correndo. Dylan estava caído no chão se contorcendo de dor com as mãos na costela, Amora estava chorando num canto da sala, Austin estava com a arma na mão apontando para Lola completamente transformada. Mas então, neste momento, percebi que Austin não conseguiria. Destravei a arma, e atirei. Ainda bem que minha mira é ótima, porque se não atiraria no rosto do Austin. A cabeça de Lola explodiu, gotejando sangue no rosto dele. O corpo oco de Lola caiu no chão, na sua própria poça de sangue negro. Seus olhos sem vida, continuaram abertos. Devolvi a arma para Mike, corri até Lola e me agachei ao seu lado. Fechei os olhos dela – Agora ela vai em paz – Austin caiu de joelhos na poça de sangue, chorando.  Passei meu braços por cima da cabeça dele abraçando-o. Minha mão continuava algemada – Sinto muito – Ele me abraçou também.
- Ela devia ter morrido como humana, não como um monstro – Disse ele.
- Eu... Eu não queria ver ela morrer – Disse Amora, soltei Austin.
- E você acha que ia impedir que ela morresse prendendo Dallas?! Você viu como ela ta agora? NEM É MAIS MINHA IRMÃ!  – Nunca vi Austin gritando, é a coisa mais assustadora do mundo. Ele é um cara doce, e fofo. Agora está com raiva, e ódio.
- Austin, calma – Sussurrei, me levantei – Me da a chave Amora – Ela jogou e eu peguei.
- O QUE ESSE CARA TA FAZENDO AQUI?
- Austin calma! – Ele respirava ofegante, respirou fundo e olhou pra baixo – Mike me ajudou a sair de lá.
- A... Dallas, eu já vou ta bom? – Mike parecia tão envergonhado, não sei porque ele me salvou.
- Tem certeza? Não quer ficar? – Eu destravei a algema e joguei no chão.
- Ah, não. A gente se vê – Eu assenti, e ele saiu.
- Só o que me faltava, aquele cara aqui.
- Austin, respira. Calma – Ele assentiu relutante. E saiu. Passei a mão no cabelo, corri até Dylan – Ei, respira. Calma, a tala saiu. Calma – Coloquei a tala no lugar de novo. Peguei analgésicos e dei a ele, esperei alguns minutos – Como você está?
- Respirando – Ele tossiu, e se sentou. Passei a mão no cabelo dele, peguei duas garrafas de água da sacola e dei uma pra ele.
- Continue respirando – Andei até o canto e sentei no chão ao lado da Amora – Toma – Ela pegou e tomou água. Limpou as lágrimas dos olhos e disse:
- Pensei que você iria querer me matar.
- Apesar de tudo não fiquei com raiva ou magoa de você. Tanta coisa acontecendo e eu não tenho tempo para guardar magoa das pessoas que eu tento proteger – Olhei pra frente, mas pelo canto do olho pude ver Amora olhando pra mim.
- Desculpa Dallas, desculpa mesmo.
- Tudo bem. Não é só pra mim que você tem que pedir desculpas .
- Ele não vai falar comigo tão cedo.

Abri a porta da prisão e vi Austin sentado em cima do capo do carro observando a paisagem devastada pelo Apocalipse.
- Ta olhando o que?
- Nada – Respondeu ele me ajudando a subir no capo – Só estou pensando.
- Em que?
- No pouco que sobrou da minha vida. Se eu estou fazendo a coisa certa ou... Sou só mais um fraco no meio dos zumbis.
- Você não é fraco. Nem pense numa coisa assim, você é uma das pessoas mais fortes que eu conheci – Ele olhou pra mim, e o sol bateu nos seus olhos. Fazendo-os brilhar.  Estávamos tão próximos um do outro que poderíamos nos beijar. Eu quero. É errado querer? Porque se for, quero estar errada. Barulho, olhei pra trás. Alguns zumbis vinham pra cá, mas logo atrás vi mais do que eu poderia contar. O tiro atraiu a atenção deles.

 Como o Austin mesmo disse: Tudo piora muito antes de melhorar. Só o que eu consigo pensar do futuro é tudo piorando. E nada vai melhora.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Capitulo 6 – Dude, I’m locked.

Eu e Austin corremos de volta para o carro, Dylan tinha conseguido um porche vermelho.
- Cadê o Dick? – Essa foi a primeira pergunta que a Amora fez quando voltamos. Seus cabelos ruivos caiam nos ombros, fazendo ela parecer fofa na maior parte do tempo. Mas agora parecia mais preocupada e nervosa do que fofa. Eu abri a boca pra falar, mas Austin começou antes de mim.
- Ele caiu.
- O que?
- Nós fomos de um prédio para outro fazendo uma passarela de madeira – Respondi, Austin olhou pra mim e depois abaixou a cabeça. Acho que não deveria ter falado nada – a madeira cedeu e ele caiu – Amora ficou vermelha.
- De quem foi essa ideia?
- Minha – Sussurrei me sentindo pequena e insensata.
- E você não pensou que Dick era grande demais pra madeira? Esse foi o pior ideia do mundo – Eu abaixei a cabeça – Pra que explodir o prédio?
- Pra impedir que os zumbis viessem atrás de nós – Respondeu Austin.
- Aé? Deixasse eles presos dentro do prédio!
- Pega leve Amora – Disse Austin.
- Pegar leve? – Eu dei as costas pra ela, e passei a mão no cabelo – Por culpa dela o Dick ta morto! Não temos mais família Austin! Como você fez o prédio explodir?
- Combustão espontânea – Sussurrei.
- Combustão espontânea? 
- É, olha... – Virei pra ela de novo – Sinto muito Amora, mas abaixa o tom e temos que sair daqui porque...
- Não me interessa!  Cansei de você dar ordens! Cansei de seguir ordens! Cansei dessa porra! Não vou deixar nossas vidas na suas mãos mais! Você não consegue nem cuidar do seu irmão vai cuidar do meu pai? – Olhei pra ela.
- Amora – Austin sabia que agora ela pegou pesado.
- Chega – Continuou Amora - Eu...
- CHEGA DIGO EU! – Respondi – Cansou? Não estou te segurando aqui, pode ir. Eu disse pra ele despejar o óleo a trinta centímetros na madeira, ele despejou a dez, os zumbis tiveram mais força do que eu imaginei a porta cedeu mais cedo. A madeira explodiu, eu segurei ele e ele caiu. Eu tentei, eu juro que eu tentei. E eu não iria soltar ele. Mas ele se soltou.
- Como é? – Perguntou Lola.
- Ele disse “você vai soltar, de um jeito ou de outro” ele foi soltando a mão e caiu.
- E porque ele desistiria? – Perguntou Amora, mais calma.
- Não sei. Acho que estava cansado de se esconder, fugir. Queria que tudo acabasse?
- Pode ser – Disse Lola.
-Mas quer saber? Não importa o que eu fale não vou convencer nem vocês nem a mim de que não foi minha culpa – Ouve uma pausa, e então Dylan disse.
- Dallas, o que aconteceu com Bryan? – Olhei pra ele – Já tem dois dias... Eu tenho o direito de saber o que aconteceu com meu irmão... – Eu me encostei no carro. Respirei fundo, e olhei pra frente. Além dos olhares curiosos de todos, mas além. Dentro da minha própria cabeça, num mundo só meu. Onde ninguém pode entrar. A não ser dor. Contei a ele o que tinha acontecido, e no final Dylan parecia ter perdido o fôlego. Não conseguia falar nada, ele se segurava para prender as lágrimas mas no final não conseguiu. Amora foi a primeira a falar:
- Sinto muito pelo seu irmão.
- Eu também – Respondi.
- Sabe, tudo piora muito antes de melhorar – Disse Austin – Vamos ficar bem.
- Você me perguntou: Se eu não tomo conta do meu irmão, como tomarei do seu pai? Eu faço essa pergunta todo dia.

O tempo foi passando e eu troquei com Lola de motorista, por ela estava com dor na perna e mancando depois de proteger Dylan pra pegar o carro, passando a noite dirigindo.
- To com fome – Comentou Dylan. Olhei ao redor, e parei o carro. Eu ia acordar o Austin pra me ajudar, mas chega disso. Não vou deixar que mais ninguém saia em “missão” comigo, e morra no processo.
- Fica aqui, e toma conta do carro. Ta? – Dylan assentiu. Peguei o machado,a faca e sai do carro. A lanterna estava na minha cintura, peguei e liguei. Entrei numa loja pequena de beira de estrada. Tem errantes aqui, eu sinto. O cheiro, o movimento próximo. Peguei uma sacola e alguns salgadinhos, biscoitos, água, energético, cigarros... Eu geralmente não fumo, mas em momentos como este as vezes faço isso. Me virei, ai está o primeiro. Passei o machado no pescoço dele, e quando caiu ouvi o barulho de esponja molhada que o corpo faz quando cai no seu próprio e negro sangue podre. Barulho, olhei pra trás, zumbis saíam por de trás da porta, de baixo da mesa, cadeira. Sentei rápido do chão apoiando minhas costas na parede, eles não me viram só ouviram barulho. Eles começaram a andar cheirando o ar, me farejando. Fiquei me perguntando se poderiam sentir o cheiro do meu medo. Eles estavam chegando perto, a porta estava aberta e se eles me achassem? Ou pior, saíssem. Eles iriam atrás do carro, não posso deixar verem Dylan. Olhei ao redor, peguei um bombom no chão e joguei na porta dos fundos. Eles olharam pra trás e foram atrás do barulho. São trouxas, mas não otários. Quando perceberem que não era ninguém, vão voltar. Fui engatinhando até a entrada e sai correndo. Abri o porta malas e tirei de dentro minha faca, e então percebi que uma das bolsas do kit primeiro socorros estava aberta, olhei dentro. Tinha uma caixinha de analgésicos pela metade, gazzi e bandagens faltando.  Fechei o porta malas e entrei no carro.
- Onde você tava? – Austin acordou.
- Oi pai.
- To falando sério – Olhei pra dento da loja, dei partida e sai com o carro. Peguei a sacola com as coisas dentro e joguei pra trás.
- Toma Dylan. Não come tudo de uma vez.
- Obrigado.
- O que aconteceu?
- Dylan estava com fome, e eu entrei na loja e peguei o que ele precisava – Respondi. Eu ri – O que?
- Porque não me acordou?
- Cara, são 3:30 da manha. Você precisa dormir – Disse.
- Você também – Respondeu Austin sério – Para o carro.
- O que? Não – Balancei a cabeça – Eu consigo dirigir.
- Você precisa descansar.
- Eu não consigo.
- Você já tentou? – Eu olhei pra ele, e depois voltei pra estrada.
- Olha, uma pessoa que você ama acaba de morrer, você precisa dormir um pouco ou então enlouquece.
- Uma pessoa que você ama também morreu – Olhei pra ele de novo e depois voltei o olhar para estrada escura.
- Eu já me recuperei, não tem nada a ver com Bryan – Ele riu.
-Deixa eu te perguntar: Você está mentindo pra mim ou para si mesma? – Olhei rapidamente pra baixo e depois pra ele – Porque se for esse o caso, uma hora você vai acabar acreditando na mentira e quando perceber o que fez vai acabar se destruindo – Ficamos em silencio por um tempo, eu virei pra pegar um cigarro e percebi que tinha uma bolinha de sangue na calça de Lola, olhei seu rosto. Ela estava dormindo, e então lembrei das minhas coisas faltando. Voltei meu olhar pra frente – O que foi?
- Se uma das suas irmãs fosse mordida o que você faria? – Perguntei.
- O que isso tem hav...
- Responde. – Ele me olhou e depois:
- Mataria como humana antes que vire um monstro – Eu assenti, ele não fez perguntas.
O sol já estava nascendo quando eu parei o carro na frente de uma prisão, não era o lugar mais convencional mas eu já estava de saco cheio de prédios. Todos entraram, eu demorei um pouco e fui logo a trás; Lola estava horrível, parecia com febre, gripe. Agachou e procurou alguma coisa nas mochilas.
-Procurando por isso? –Ela se virou assustada pra mim, e me viu com o pote de analgésicos – Quando você pretendia contar?
- Eu... Eu não...
- Contar o que? – Perguntou Amora.
- Você acha que eu tenho cara de idiota? – Perguntei me aproximando dela ela, ela se levantou.
- Dallas, por favor tenta entender.
- Não, entenda você. Você é uma pessoa legal Lola, realmente legal. Não queria que terminasse assim, mas você não me deu escolha. Não vou deixar Dylan junto com uma aberração.
- NÃO ME CHAMA DISSO – Isso que eu queria, que ela ficasse irritada. Só assim eu vou ter uma desculpa pra conseguir descarregar minha raiva eu gente viva. Ela chutou minha perna e eu cai ajoelhada no chão.
- LOLA! – Gritou Amora – PARA – Segurei o pulso dela com força, ela gritou e caiu no chão. Ela deu um soco no meu rosto fazendo minha boca sangrar, ela tentou levantar mas eu a prendi. Segurei a parte de baixo da calça dela e rasguei.
- DALLAS! – Sai de cima dela. Peguei minha arma da cintura e apontei pra ela.
-O que está acontecendo aqui? – Três homens subiram, apontei a arma pra eles – Ei amiga, não precisa disso.
- Quem são vocês? – Perguntei.
- Meu nome é Michael, pode me chamar de Mike – O mais velho deles, devia ter uns 21. Alto, cabelo preto e olhos azuis cintilantes como os meus.
- Meu nome é Lincon, pode me chamar de Link – Parecido com Mike, apenas com os olhos que são verdes.
- E eu sou Philip, me chame de Phil. A gente chegou aqui antes.
- Tudo bem – Disse – Podem ficar onde estavam, não vamos incomodar vocês – Eles assentiram e desceram, Mike piscou pra mim. Eu atirei na porta de entrada, Lola estava saindo – Não me obrigue a atirar em você pelas costas - Amora, Dylan e Austin ficaram olhando a mordida na perna de Lola, cuspi sangue no chão. Olhei para Austin, tinham lágrimas escorrendo de seus olhos mas ele assentiu. Destravei a arma, fui atingida na lateral direita caindo com o braço quebrado no chão.
- AMORA, SAI DE CIMA DELA! – Gritou Austin.
- Você ta do lado dessa louca? – Não queria machucar Amora, mas ela queria me machucar. Me deu um soco bem onde Lola tinha dado, outro do olho. Empurrei-a, ela caiu no chão.
- Se eu quisesse quebrava seu pescoço – Respondi, tentando levantar. Amora empurrou com força minhas costelas e eu cai de novo, grunhi no chão. Austin correu na minha direção e me ajudou a sentar.
- Não vou deixar você matar minha irmã.
- Não vai ser sua irmã por muito tempo, ela vai se tornar um monstro e matar todos nós. Não vou morrer por causa dela – Amora chegou perto de mim, com as mãos nas costas.
- E não vou deixar você matar ela – Amora me algemou.
- Você ta de brincadeira? – Perguntei.
- Podemos dar os analgésicos pra ela, e ela não vai se tornar um monstro. Ela não vai.
- Fale isso enquanto ela morder seu pescoço – Respondi.
- Amora, me de as chaves – Disse Austin.
- Não. Não acredito que você está do lado dela, ao em vez da sua família.
- Isso acontece quando sua família fica louca. Lola é minha irmã também, não quero que ela morra. Mas acima de tudo não quero que ela volte – Amora estreitou os olhos.
- O que há com você? Nossa vida era muito mais fácil antes de pedir ajuda pra essa maluca e ela deixar Dick morrer – Chutei o rosto da Amora.
- Desculpe por isso, quando você voltar a razão vai ver que fiz isso por uma boa causa – Respondi. Amora olhou pra mim e me levantou, começou a me levar pra trás, chutei minha arma que estava no chão pra trás – Cuide-se Dylan.
Amora me prendeu dentro de uma jaula, quer dizer estamos numa prisão. Uma prisão com jaulas de ferro enferrujado e muito forte.
-Desculpa Dallas, sinto muito. Mas não posso deixar você matar minha irmã – Não posso culpá-la provavelmente faria o mesmo.
- Me tire daqui quando ela morder Austin, e você ter que matar dois irmãos – Ela nem olhou pra trás.

As vezes nós temos tanto medo de sofrer que acabamos adiando a dor, isso não afasta a dor. Apenas a multiplica. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Capitulo 5 – Down goes another one

Subimos as escadas do prédio com cuidado e então eu abri a porta, todos olharam:
- Graças a Deus – Disse Lola se levantando – Ué, cadê o... – Austin balançou a cabeça negativamente, Lola não respondeu apenas abaixou o olhar.
- Como ele tá? – Sentei do lado do sofá de Dylan, Dick e Sr. Smith olharam minha blusa e cabelo cheio de sangue, Dick pigarreou.
- Logo que você saiu ele fico agitado, e depois desmaiou.
- Ta bom – Eu olhei pro Dylan e pensei “como eu conto?” – Austin trás a caixa, por favor – Ele sentou no chão ao meu lado – Vou precisar da sua ajuda, e da sua Dick – Eles assentiram. Olhei na caixa, Bryan só pegou a metade das coisas que eu precisava. Provavelmente já tinham pegado. Não da pra fazer o gesso. Mas Bryan foi esperto, ele pegou três talas e muita gazzi – Vou colocar essa coisa no lugar – Segurei na costela dele com a mão direita e puxei pra dentro. Dylan gritou, teve um ataque epilético. Dick ia segurar ele, eu o impedi. Me debrucei em cima dele e o segurei com o braço direito. Logo ele parou de se debater e ficou desacordado de novo – Austin segura aqui – Ele levantou o tronco de Dylan, segurou a parte de cima e a de baixo da coluna dele. Peguei a tala – Dick pressiona aqui – Ele colocou na parte da coluna quebrada, eu peguei a gazzi e enrolei.
O dia foi passando, e eu continuei sentada no chão com as costas encostadas no sofá. Passei uma pomada para não infeccionar minha mão direita e enrolei gazzi pra parar de sangrar.
- Dallas – Olhei pra trás, os outros olharam pra ele. Fiquei feliz por ele ter acordado, mas não queria conversar. Porque conversa, levaria a pergunta que eu não quero responder.
- Volta a dormir Dylan – Ele olhou em volta.
- Cadê o Bryan?
- Vai dormir Dylan – Olhava pra minha mão, não quero olhar pra ele. Ele sentou.
- Dallas cadê o Bryan?
- Deita, se não a tala sai.
- O QUE ACONTECEU? CADÊ MEU IRMÃO?  - Um bolo formou na minha garganta, não conseguia responder. Lágrimas aglomeraram nos meus olhos – CADÊ ELE DALLAS?! O QUE ACONTECEU?
- EU O PERDI! NÃO CONSEGUI TRAZER ELE DE VOLTA! – Virei e encarei Dylan nos olhos – EU PERDI ELE!
- o que?
- Desculpa, não consegui – Abaixei o olhar, me virei. Dylan me abraçou por trás, isso não me fez tranqüilizava só aumentou a dor.
Para uns a culpa é uma sentimento bonito onde alguém se senti resposável pelo outro que não conseguiu salvar, para outros a culpa é um fardo, pra mim é os dois. Culpa é hipocrisia. Não está preocupado com o outro, está preocupado com seu ego que foi ferido, depois de não conseguir o que gostaria.
- Não foi sua culpa – Eu assenti, só pra não ter que discutir. O dia se foi, a noite chegou. Ninguém falava muito, todos se deitaram nos sofás, poltronas, e eu continuei sentada no chão. Alguém tem que ficar de olho na porta, não podemos dormir todos juntos, para não sermos pegos de surpresa.
Meu braço quebrado ainda doía,mas eu não ligo mais. Não ligo se meu braço está quebrando, tudo que estava na minha cabeça é que deixei meu irmão morrer. Passei tanto tempo com a família, tanto tempo com zumbis que esqueci que existiam mais pessoas no mundo. E acima de tudo, esqueci o que pessoas fazem. Elas ferem.
Austin levantou da poltrona, viu Amora no chão e carregou a irmã até a poltrona dele. Pegou uma lanterna, andou até mim e sentou ao meu lado.
- Não vai dormir?
- Não posso.
- Não pode ou não quer? – Perguntou ele.
- Não posso.
- Porque?
- Não consigo – Ele me olhou e depois olhou pra baixo. Tirou um anel do dedo dele. Um anel de prata, um anel bonito.
- No dia que minha mãe morreu, eu sentei na cama com ela e disse “desculpa por não te agradar mãe, sempre fiz o possível” o câncer no pulmão impedia que ela respirasse ou falasse direito, mas sussurrou “Aquele que tenta agradar a todos, morre cheio de arrependimentos” ela me entregou esse anel e disse “Segure isso, quero que se lembre que uma hora tudo acaba” – Ele me deu um anel.
- Eu não posso aceitar isso.
- Pode, e deve – Eu segurei.
- Obrigada Austin.
- Tudo bem.
- Eu pensei que ele tivesse mais tempo
-Sempre pensamos que temos mais tempo, mas então o tempo acaba - Olhei pra ele. E coloquei o anel. Girei ele no dedo – Ta pensando em que?
- Que temos que sair daqui.
- E nós vamos pra onde? – Perguntou. Ele girou a lanterna pra de baixo do rosto, como se fosse contar uma história de terror.
- Vegas.

- Tem certeza que vocês não vem com a gente? – Perguntei no dia seguinte, enquanto o sol nascia para Sr. E Sra. Smith.
- Nosso lugar é aqui.
- Tudo bem – Disse – Obrigada por tudo - "nosso lugar é aqui" bobagem. Esse lugar está instavel, não vai ficar em pé por muito tempo.
- Imagina – Responde Sra. Smith – Que Deus lhe acompanhe – Deus? Quando meu irmão morreu ou eu pedi pra ele aliviar a dor ele não me ouviu. Porque vai me acompanhar? Sorri e assenti. Descemos as escadas e passamos a procurar um carro.
- O que aconteceu com seu braço? – Perguntou Dylan.
- Quebrei.
- Como?
- Cai no poço do elevador – Ele ergueu as sobrancelhas. Movimento – Abaixem – Todos abaixaram atrás do carro, por baixo do carro vi os pés de cinco zumbis. Uma lata de lixo caiu, olhei pro lado, mais cinco zumbis.
- Porra e agora? – Perguntou Lola. Olhei ao redor, a frente está livre. Atrás de outro carro saíram doze zumbis. Frente não livre mais.
- Dylan – Sussurrei – encontra um carro, e faz ligação direta – Ele assentiu – Amora, Lola dêem cobertura pra ele – Assentiram – Dick, Austin vem comigo.
- Pra onde? – Perguntou Austin. Eu sei é suicídio correr no meio de cinquenta zumbis, mas o que outra alternativa temos? Girei no dedo o anel de prata que o Austin me dera, como se ele tivesse me dando certeza do que estava fazendo.
- No três, um... dois...três. – Me apoiei na mão direita a comecei a correr rua a frente. Os zumbis demoraram um pouco pra perceber o que estava acontecendo, já tínhamos passado deles quando começaram a grunhir em nossa direção.
- O que estamos fazendo?! – Gritou Dick.
- Distração! – Gritei. Dick riu.
- Qual a graça?! – Gritou Austin.
- EU SERVI AO PAÍS COMANDANDO AS GUERRAS MAIS SANGRENTAS, MAS AGORA NA PIOR GUERRA MINHA VIDA ESTÁ NA MÃO DE ADOLESCENTES.
- Os tempos mudaram Sr. Jackson – Parei bruscamente na frente de um prédio de construção. Eu consigo pensar rápido, sou boa em quimica, fisica e matemática basica. Mas o melhor adjetivo que eu tenho é ter audição apurada. O problema é que quando eu penso rápidamente eu tenho tiques do tipo, ando de um lado pro outro, mecho muito as mãos e falo rapido, as vezes é difícil acompanhar meu proprio raciossinio. Dick e Austin pararam abruptamente um pouco mais a frente – Por aqui – Eles correram pra dentro do prédio – Dick segura a porta! – Ele encostou sua larga costa na porta, durante um tempo todo barulho que tinha era só a goteira do teto, olhei ao redor da sala.
- O que estamos procurando? – Perguntou Austin.
- Uma saída.
- Então entramos nesse prédio de alegres? – Perguntou Dick.
- Isso é um prédio em reforma, um prédio antigo como este sempre tem canos na parede por onde passa gás carbono nela. Aqui temos madeira, oléo e a luz solar – Olhava pelas paredes, enquanto girava o anel de prata.
- E como vamos fazer pra saber onde está o cano? – Perguntou Austin. Todos ficaram quietos, neste momento o único barulho era o de movimento surdo e morto dos errantes lá fora. Andei até a parede e coloquei o ouvido nela.
- Aqui – Austin ergueu as sobrancelhas. Peguei a marreta do chão com a mão direita, segurei com força e bati na parede. O volume dos grunhidos aumentou, os socos e a força que faziam pra entrar fazia com que Dick perdesse a força na porta. Bati de novo, o zunido e grunhidos faziam um barulho irritante nos ouvidos. Bati mais uma vez, o cano quebrou. O gás saía com força de dentro do cano – Austin segura essas madeiras aqui – Ele pegou, e eu peguei o óleo – No três a gente corre pra cima.
- O que? Isso é suicídio. Não podemos largar essa porta, eles vão entrar e vamos todos morrer - Disse Dick.
- Não, não vamos. No três...um...dois...três! – Dick soltou a porta, Os errantes encheram rapidamente a sala, Austin estava subindo, e eu logo atrás dele – Aqui! – Abri a porta, eles entraram e eu fechei a porta. Fui até a janela, outro prédio a um metro daqui. Austin me ajudou a pegar a madeira e colocar no parapeito da janela até o da outra janela, fazendo uma ponte – Você primeiro Austin – Ele subiu e foi cuidadosamente até o outro prédio. Olhei pra tras.
- Vai Dallas – Disse Dick. Subi na madeira, ela começara a rachar e balançava com o movimento do vento. Cheguei do outro lado. Chamei Dick com a mão.
- Dick! Pegue o Oleo e a trinta centimetros do prédio despeje na madeira! – Ele assentiu, subiu na madeira, pesado demais, despejou o oleo, perto demais, a porta cedeu, cedo demais. Dick estava chegando, mas a luz solar o oleo e o gás carbono fizeram a combustão espontanea, cedo demais. O prédio explodiu levando os zumbis e a metade da madeira com ele. Dick caiu, eu o segurei. Austin segurou minha perna.
- Você conseguiu garota, deu certo – O tom da despedida. Odeio despedidas, e odeio a falta de fé que a maioria das pessoas tem nessas horas.
- Eu disse que daria – Desejei que meu braço esquerdo não estivesse quebrado, Dick é um homem pesado e está escorregando. Austin não vai conseguir me segurar por muito tempo, rezei para que Dick não escorregasse, para que Austin puxasse nós dois pra dentro, ou até para que Dick não sofresse na queda. Mas Deus parece ter tirado férias, ou se cansado de atender a orações, ou pelo menos parou de ouvir ou de tentar.
- Solte.
- Não vou soltar Dick.
- Você não tem escolha, vai soltar querendo ou não – SEGURA MINHA MÃO BRYAN! – O elevador cedeu, e caiu. Levando meu irmão para de baixo dele.
- A gente consegue.
- Eu estou feliz por ir - Dick forçou um sorriso.
- Não diga isso, a gente consegue.
- Acho que não – Ele olhou nos meus olhos, Dick escorregou, caiu de barriga pra baixo no chão. Um poça de sangue rodeou seu corpo muito rápido, Austin me puxou. Por um momento eu fiquei antônita, sem saber o que fazer. Ou o que falar. Austin correu para janela, uma coisa é eu deixar meu irmão morrer. Meu problema, minha dor. Outra coisa é eu deixar o padrasto de outras pessoas morrer, nosso problema, nossa dor, meu erro. Austin virou pra mim, não parecia decepcionado, magoado, ou irritado comigo, só conseguia ver o luto natural.
- Me desculpa – Eu abracei ele, e ele me abraçou.
- Tudo bem, não foi sua culpa – Ele passou a mão no meu cabelo.
- Desculpa – Lágrimas desceram dos meus olhos, não era pra isso ter acontecido. Não digo nem por Dick, mas pelo Austin. Ele é um cara legal, que não merecia esse tipo de dor. Acho que fiquei mais preocupada com a dor dele, do que com a de Dick. Pelo menos ele não tem que viver fugindo como nós.
- Tudo bem – Quando quer saber o que alguém está sentindo, olhe em seus olhos. A pessoa pode mentir para todos, até para si mesma mas sempre há verdade nos olhos. No  momento final é onde as pessoas mais mentem. No último suspiro agem como se quissessem isso, quando na verdade estão morrendo de medo. No ultimo instante ninguém é corajoso o suficiente para dizer “eu não quero morrer” mas são mentirosos o suficiente para dizer  “estou feliz por ir”

sábado, 13 de julho de 2013

Capitulo 4 – Safe and Sound, but not here.

A explosão apesar de controlada fez o resto do prédio balançar, fiquei com medo de ceder.
- Droga – Disse.
- O que? – Perguntou Bryan.
- Não temos contato com eles lá dentro, celular não funciona. E agora?
- Bom, eu tenho uma coisa – Disse Austin, virei pra ele – o Dick, era guerreiro. Ele batalhou na guerra civil, e quando voltou, voltou meio paranóico. Deu pra gente um mini walkie talkie, que coloca no ouvido ninguém vê e a pessoa que está com ele ouve, e da pra conversar. Mas o walkie talkie fica invisível pro resto – Ele virou e mostrou um aparelho super pequeno e preto no ouvido dele, eu sorri.
- Deus abençoe os paranóicos – Ele sorriu, tirou dois aparelhos iguais do bolso e deu um pra e o outro para Bryan – Vamos.
O hospital estava quebrado. Não é pra menos, não esperava que o hospital o maior centro de tratamento a doenças estaria intacto num lugar onde todo resto está pior. Toda luz que entrava era das janelas, os raios de sol iluminavam boa parte do hospital. Na entrada era o hall vazio, com cadeiras caídas, mesa reviradas, geladeira de vidro quebrada, com uma latinha espirrando refrigerante dentro.
- Tudo bem – Disse Austin – Não temos muito tempo. O barulho daquela explosão vai atrair a atenção de outros. E duvido que estejamos sozinhos aqui. Do que precisamos?
- Bryan pegue o aparelho de transfusão de sangue, agulhas, a linha e gazzi. São pequenos, então coloque nessa caixa aqui – Peguei uma caixa de papelão do chão e dei pra ele – Deve estar nessa ala aqui. Procure pra lá – Apontei para um corredor que saia do hall de entrada – ta com arma carregada?
- Sim.
- Então se cuida – Ele assentiu, pegou a caixa. Peguei um pedaço de ferro no chão e coloquei no meio da fechadura da porta principal – nenhum deles vai entrar aqui.
- Nem sair – Disse Austin.
- Nenhum plano é perfeito.
- Do que precisa? – Austin virou pra mim.
- Preciso que você pegue um aparelho de choque, sabe? Aqueles que reanimam as pessoas?
- Sei.
- Pegue ele, e sangue. A+
- Dylan é A negativo – Disse Bryan.
- Só eu e você somos A negativo, ele é positivo.
- Jura? – Eu assenti.
- Eu acho que isso ta lá em baixo. Vou pegar uns remédios lá em cima, a gente se encontra aqui em 15 minutos. Se algum de nós demorar mais que isso, vão atrás do outro – Avisei.
- Fiquem em contato – Disse Austin, ele correu e desceu as escadas. Bryan pegou a caixa e correu pelo corredor, eu corri escadas a cima. Tinham corpos de enfermeiros zumbificados pela escada, sangue, órgãos, pedaços de carne corpórea, cheiro rançoso de carne podre, morte, e medo. Meu medo. O corredor de cima estava pior que o de baixo, tava mais vazio. Uma única luz no teto piscando. “Sala de medicamentos. Entrada exclusiva de funcionários”  aqui. Abri a porta.
- Opa, temos companhia – Um homem, branco, careca, musculoso, com roupa preta, e uma arma apontada pra mim. Levantei a minha.
- Não quero confusão – Me controlei pra não tremer, medo. Eu tenho um problema com medo, sempre tive. Medo de errar, de não agradar, medo de não conseguir, de não ser suficiente, medo de fracassar. Hoje não – Só preciso de alguns remédios e...
- Pois é, mas eu também preciso deles.
- Podemos dividir.
- Não – O homem olhou nos meus olhos, minha vontade era sair correndo e desistir. Mas não, pelo Dylan não – Eu preciso de todos – Chacoalhei a arma pra cima destravando ela.
- Então parece que temos um impasse.
- Eu descordo – Uma voz de mulher, ela colocou a arma na minha cabeça por trás – Que tal bater um papinho a sós? – Cabelo curto como o meu agora, olhos pretos, roupas pretas, morena, me empurrou até a frente do elevador da sala. Minha cabeça buscando freneticamente um plano, não consegui pensar em nada. Duas armas, contra uma. Ela apertou o botão do elevador, ta sem energia aqui. Não faz diferença, pra minha surpresa a porta abriu.  Eu quase escorreguei, mas me segurei no chão. O elevador não estava lá apenas poço do elevador. Um baque ensurdecedor indicando que uma das salas tinha cedido e os zumbis saído. O homem atirou nos zumbis – DEIXE ESTE! MATE OS OUTROS! – Ele assentiu e fez o que ela mandou. Senti um arrepio quando o zumbi passou por mim, ela derrubou ele no poço do elevador. Depois ela chutou minhas costas, caí em queda livre por 5 metros, entrei em desespero me debatendo no ar e finalmente consegui agarrar no cabo de pressão que segura o elevador, machuquei minha mão com os fios soltos e eu me soltei involuntariamente, bati com tudo no chão. Quebrando meu braço esquerdo. Gritei, senti uma dor tão torturante que preferia ter morrido na queda. Tentei levantar, não consegui e deitei no chão.
- Bom trabalho filha – Ouvi a voz do homem lá em cima.
- Obrigada pai, mas agora temos...-Um grito. Só poderia significar que ela foi atacada por um zumbi. Dois tiros, o que significava que o homem matou o zumbi e a ela. Sentei, segurei meu braço.
-Dallas? Ta me ouvindo? –Ouvi Austin no walkie talkie.
-Austin? To te ouvindo.
- Você demorou, Bryan foi atrás de você.
-Sozinho? Eu disse pra ir os dois! – Droga, se ele chegar e este homem estiver aqui ele vai levar uma bala na cabeça.
-Dallas... Não... Pra baixo... Zumbis... Toda parte... CARAMBA!
-Austin? Austin? – Soquei o chão. Merda. Olhei ao redor, minha arma estava desmontada espalhada pelo chão, peguei os pedaços e sentei no chão pra tentar montar com um braço só. Grunhido, congelei. Rangido de dentes, olhei pra trás o zumbi empurrado antes de mim começava a se mexer. Porra, voltei a montar os pedaços mais rápido. Grunhidos, faltava a tranca da arma, olhei rapidamente para os lados me arrastei o zumbi me olhou– cacete – peguei a trava usei o braço quebrado, a dor que eu sentia não se comparava com a que eu sentiria se fosse mordida. O zumbi se debruçou em cima de mim, deixei ele afastado com a perna, coloquei a bala, ele puxou minha blusa. Atirei.
Caiu sangue no meu rosto, boca, blusa, cabelo, e o corpo morto em cima do meu braço fazendo mais sangue cair na minha camiseta. Meu braço ardendo em dor.
- Que nojo – Empurrei o corpo pro lado – Bryan? – Estática – Bryan? Ta me ouvindo? Bryan? – Estática. Merda, me apoiei no meu braço direito e levantei. Não tem outra saída, eu vou ter que escalar até em cima, agarrei a corda de força do elevador e me puxei pra cima, usei minhas pernas pra me ajudar a ir pra cima puxei um metro e percebi que não ia dar assim. Respirei fundo, peguei a gola da camiseta e mordi. Usei meu braço esquerdo - quebrado – e voltei a subir. Eu poderia até implorar a Deus pra dor passar, mas ele não ia me ajudar agora. Consegui ver a saída, mas tava muito longe pra alcançar. Tanto sofrimento por nada.
- DALLAS! QUE QUE ACONTECEU?! – Graças a Deus Bryan. Eu não consegui falar, se eu soltasse a gola da camiseta eu gritaria de dor – Se balança e segura minha mãe – Assenti, dei impulso na parede e comecei a me balançar. Ouvi um rangido, olhei pra cima. O elevador começou a balançar, ele vai cair – Da tempo, vem logo! – Estiquei a minha mão direita enquanto me balançava, faltava centímetros e Bryan pegou. Me soltei da corta e fiquei pendurada pela mão de Bryan. Vi uma sombra atrás dele, cuspi a gola da blusa pra avisar mas já era tarde. O homem de roupa preto chutou as costas de Bryan, ele soltou minha mão e eu me segurei rápido no chão da sala, aguarrei a mão dele com o braço quebrado. Gritei – Que foi?
- Eu cai do poço do elevador, quebrei o braço.
- Não me diga que é esse que eu to segurando.
- E é por isso que eu preciso que você segure a corda de contenção! – Ele esticou o braço – RÁPIDO BRYAN! – Ele agarrou e me soltou. Me puxei pra cima e senti no chão da sala, nunca me senti tão aliviada. Olhei pra trás, ainda tava todos os remédios que eu precisava ali. Peguei minha arma e deixei na cintura.Deitei no chão de barriga pra baixo – Agarra minha mão! – O elevador vai cair,ele está cedendo, rápido Bryan.  Ele olhou pra cima.
- Dallas, saiba que eu te perdôo por ser uma chata, e gosto que seja assim porque você cuida da gente.
- Porque eu sinto isso como se fosse uma despedida.
- Eu te amo Dallas – O elevador rangiu e caiu meio metro.
- EU TAMBÉM DE AMO MERDA! – Estiquei minha mão o máximo que mude – SEGURA RÁPIDO! – Ele esticou o braço, me olhou no olhos, o elevador caiu. Esmagando meu irmão em baixo dele. Uma poeira subiu, não ouvi um grunhido de dor sequer – Bryan – sussurrei chamando. Isso não está acontecendo, ele está ali. Ele vai levantar com um sorriso e dizer “oi otária, achou que eu ia te deixar é?” – Bryan – Sussurrei de novo, lágrimas começaram a cair dos meus olhos, e foi ali e que percebi que estava tudo acabado – BRYAN! – Fiquei olhando para o elevador caído. Eu sabia que o elevador ia cair, porque eu fiz ele ir pela corda? Porque ele não veio pela parede? Porque eu deixei ele morrer?
- Sinto muito pelo seu irmão – Ouvi o homem atrás de mim, não tinha mais medo. Só raiva, ódio e mágua subiram na minha garganta. Não sei se dele ou de mim. Peguei minha arma, mas não atirei, bati com ela na cabeça dele. Ele se afastou e abaixou a cabeça e eu chutei o nariz dele. Ele caiu, fui até ele, ele segurava o nariz sangrando. Sentei em cima da barriga do homem, soquei seu rosto, e soquei de novo e de novo eu estava com tanta raiva que poderia acabar com ele bem ali. Soquei o chão, bem do lado dele, o homem se assustou. Me debrucei e sussurrei no ouvido dele:
- Da próxima vez que eu te ver, não terei tanta misericórdia. CAI FORA!! – Gritei. Me ajoelhei e deixei ele sair correndo da sala.

- O que você está fazendo? – Bryan saiu de casa, e me viu sentada sozinha no jardim de casa – porque está aqui? E não lá dentro? – Era meu aniversário de 16 anos e ninguém tinha lembrado.
- Não tem nada pra fazer lá dentro.
- Serio? Não acho. Olha só o que eu encontrei! – Ele tirou uma caixinha das costas. Eu peguei, tinha um anel dentro. Era um anel de ouro. – Feliz aniversário – Ele me abraçou. Bryan tinha 15 anos, ele tinha começado a trabalhar numa joalheria.
- Obrigada, Bryan.
Soquei o chão.
- Ei o que aconteceu?
- Cai de skate – Eu tinha 10 anos e ele 9.
- Olha ta sangrando – Bryan andou até mim e beijou meu machucado.
- porque fez isso?
-Mamãe sempre diz que o amor cura feridas, e que o beijo é transferência de amor.
Soquei o chão de novo, dessa vez machucou.

- Dallas corre aqui.
- Que você fez Bryan?
- Comprei chocolate com minha mesada
- Mas a mamãe não deixa comer chocolate em dia de semana.
- E é por isso que eu não contei pra ela. Quer?

Soquei o chão mais uma vez, minha mão começou a sangrar.
- Porque está chorando Dallas?
- Freddy Bruckman me deu um bolo no baile.
- Cadê ele? Eu vou acabar com aquele filho da mãe.
- Não. Bryan senta ai.
- Dallas, não fica assim. Olha eu te pago um lanche. Que tal?

Soquei o chão de novo, e de novo, tinha sangue espalhado por todo chão. Me encostei na parede. Lágrimas escorrendo sem controle dos meus olhos, me apoiei no braço direito e me levantei, peguei uma bandeja e coloquei potinhos de remédio dentro. Coloquei a bandeja dentro da caixa de papelão que Bryan tinha trago. Abri e fechei minha mão direita, ainda tava sangrando, mas eu não me importava mais. Sai da sala, e andei escada a baixo. Austin não estava lá.
Segurei a caixa com uma mão e com a mão quebrada segurei a arma desci as escadas, vi um vulto virei.
- É você... Ufa – Disse Austin. Abaixei a arma – Cadê o Bryan? – Balancei a cabeça – Sinto muito – Ascenti – Me da isso aqui – Ele pegou a caixa e colocou tudo que tinha pegado dentro.
- Tava picotando, não consegui de ouvir – Eu tava me controlando, não vou chorar mais.
- Eu disse que aqui estava lotado de zumbi e – Ele me empurrou pra de trás de um lacuna e foi pra outra do lado. Uma horda de 20 zumbis estava vindo na nossa direção, ficamos quietos. Mau respirávamos, e eles passaram grunhidos, babando gosma preta, andando devagar. Um deles parou entre mim e Austin, grunhiu e depois continuou andando. Suspirei, subimos as escadas correndo. Tirei o ferro da porta, um corpo caiu rolando escada a baixo. O homem de roupa preta, morto. Não sei o que senti, mas foi alguma coisa perto de satisfação. Coloquei o ferro com cuidado no chão, sem fazer barulho, abri a porta e fechei com cuidado. Depois voltamos correndo pro prédio.

- A vida é uma coisa louca, não é? – Perguntei para Bryan enquanto tomávamos sorvete depois da escola – Viver é uma coisa louca.
- Sabe o que eu acho?  - Perguntou Bryan – As pessoas tem que aprender a viver.
- Como assim? Todo mundo vive Bryan.
- Não, poucas pessoas vivem, a maioria só... Existe.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Capitulo 3 – Invasão.


Você já olhou no espelho e viu uma coisa da qual não gosta? Da qual pedisse a Deus para poder trocar? Isso acontece bastante comigo. Eu estava dentro do banheiro o prédio que tínhamos entrado para fugir dos zumbis. Este prédio é um dos poucos que ainda tem água, e não é muita. A Sra. Smith – Um mulher indiana com a roupa longa e rosa e olhos pretos e puxados – pegou nossas roupas pra lavar, Sr. Smith – um homem também indiano, de blusa e calça largos e brancos, sapatos e um cachecol preto – assava um porco que ele tinha caçado a uns dias atrás. Tomei banho e lavei o cabelo, o ferimento na parte de trás da cabeça ardia quando a água tocava. Olhei no espelho, tinha um tufo faltando na parte de baixo traseira da minha cabeça. Abri uma caixinha transparente no chão e peguei a tesoura, cortei meu cabelo na altura do queixo. Tufos negros de cabelo iam caindo aos poucos no chão.
- Obrigada por nos deixar ficar – Disse Dick mais tarde naquele dia, enquanto estávamos sentados no sofá da sala.
- Não vemos muitas pessoas mais, então quando vemos ajudamos – Disse Sr. Smith.
- Porque você cortou o cabelo? – Perguntou Dylan.
- Um zumbi arrancou um pouco então resolvi cortar o resto – Ele ergueu as sobrancelhas.
- Você salvou nossas vidas e eu nem sei seu nome – Disse a garota ruiva.
- Dallas.
- Prazer, Amora – Bryan riu.  Eu olhei pra ele.
- Amora? E suas irmãs são, Maça, Abacate e Banana? E vocês juntas formão uma salada de frutas? – Amora riu sarcasticamente.
- Porque não enfia essa sala de frutas no seu...
- Ei! – A garota morena interveio – Meu nome é Lola.
- Prazer – Disse.
- Então – Disse Amora – Qual a história de vocês?
- Bem curta na verdade – Respondi – eu sai para ir no mercado, e quando voltei a casa estava em chamas e meu pais viraram zumbis.
- Sinto muito – Respondeu ela.
- Vocês são uma família?
- Sim – Respondeu Lola – Eu, minha irmã – Ela apontou para Amora – meu irmão – Apontou para Austin – e meu pai – Apontou para Dick – na verdade, não conhecemos nosso pai, ele morreu antes de nascermos.
- E qual a história de vocês? – Perguntei.
- Desde que tudo começou começamos a viajar, trocávamos de cidade com freqüência. E num dia entramos numa casa, mas tinham errantes dentro. A gente se safou mas meu irmão não...
- Mas e o...
- Éramos em cinco – Interrompeu Amora – Eu, Lola, Austin, o pai e Damian. Ele foi mordido, e se trancou dentro do quarto. Depois que se transformou ele ficou batendo na porta, e nenhum de nós teve coragem de matar ele – Ela deu uma pausa – Você que matou seus pais?
- Aham – Respondi com voz fraca.
- Admiro sua força – Que admirável... A filha pródiga retorna a casa e mata os pais. Palmas.
- O que ouve com sua mãe?
- Ela morreu de câncer uma semana antes de tudo isso começar – Eu ergui as sobrancelhas – pode falar, “sinto muito” “ela esta num lugar melhor agora” todos dizem.
- Não, não vou falar. Porque não sinto muito.
- Como é?
- Sua mãe tem sorte de ter morrido de uma forma normal e não virado um monstro. Tem sorte de não ver seus filhos zumbis... Não que vá acontecer mas...
- Uma possibilidade. Eu sei.
- Dallas – Chamou Dylan, ele estava péssimo. Pálido, sangrando – Eu não sinto meus dedos.
- Bryan cadê a agulha?
- Quebrou.
- Como é que é? – Mesmo fechando o ferimento na testa dele, ele iria precisar de uma transfusão de sangue. Rápido.Eu me levantei e olhei pela janela, todos os zumbis ainda estavam lá em baixo. Uma hora ou outra vão entrar, mas um problema de cada vez. Hospital a 15 minutos daqui, olhei pra trás. Peguei uma mochila – Posso usar?
- Claro – Disse Sr. Smith, peguei um machado. E fui andando em direção a porta.
- To vendo que a pouca inteligência que você tinha acabou de sumir – Disse Bryan parando na minha frente.
- Sai Bryan.
- Você não pode sair sozinha, ta louca? Eu vou com você.
- Bryan você vai entrar em pânico.
- Ou eu vou, ou você não vai – Ele falou tão convicto que eu pensei por um instante que ele achava que poderia me impedir.
- Sai Bryan.
- Você não vai sozinha.
- Eu vou com ela – Disse Austin andando até nós com um machado.
- Ta bom, e eu vou junto – Bryan é tão teimoso que se eu pudesse enfiava o machado na cabeça dele já. Eu revirei os olhos – Quanto mais difícil a situação, menos você pensa nos riscos – Olhei pra ele, e depois para Dylan.
- Eu cuido dele – Disse Dick. Respirei fundo e abri a porta, dava pra sentir o cheiro rançoso de carne putrefata daqui.
- Qual o plano? – Perguntou Bryan, um barulho ensurdecedor veio de baixo. O portão cedeu. Abri a porta.
- Tranquem a porta, não saiam daqui, não façam barulho – O filho dos Smith veio com as mãozinhas tremulas com a chave e trancou a porta – Não tenho plano.
- E então? – Perguntou Austin – A gente improvisa?
- A gente improvisa – Corri escada a cima, e senti o movimento dos zumbis atrás de mim. Um homem enorme, com distintivo militar de um guerreiro civil parou na minha frente – Senhor entre em casa!
- Segura – Ele jogou uma caixinha pra mim – Junte eles lá em cima – Deus abençoe os guerrilheiros americanos. Ascenti, o homem entrou em casa, voltei a correr.  Abri a porta do terraço – NÃO FECHA BRYAN – Ele me olhou confuso e voltou a correr, olhei pros lados, tinha um elevador antigo no terraço que funciona a energia. Não precisamos dela – Austin me ajuda aqui, Bryan cobertura! – Eu segurei no portão de fecho contei até três e nós dois levantamos ele, Bryan correu pra dentro do elevador. Peguei a caixinha e joguei  explosivo no chão. Austin fechou o elevador, nós nos abaixamos eu apertei o botão e tudo explodiu. O explosivo fez com que as cordas arrebentassem e o elevador caiu em queda livre. Caímos do prédio.

Muitas vezes quando ultrapassamos obstáculos pensamos que a jornada acabou, que o pior já passou. Mas sempre tudo pode piorar.


terça-feira, 9 de julho de 2013

Capitulo 2 – Small things.

Toda casa estava com cheiro rançoso de carniça, olhei pro lado e vi as chamas na janela. Corri pro quarto.
- Dylan, vem. Se apóia em mim – Dylan estava soando frio. O corte na testa estava sangrado mais agora, e a dor na costela só piorava. Ele me abraçou e eu o ajudei a levantar. Bryan levantou depois e me olhou de cima a baixo, observando o sangue na minha roupa e pedaços de carne podre na minha blusa – Bryan pega alguma mochilas no meu quarto e coloca todas as roupas que você achar. Rápido – Ele correu. Fui com Dylan até o quarto da minha mãe e dei alguns analgésicos pra ele, depois o deitei na cama.
- Eles são fortes – Disse ele baixo.
- Quem?
- Aquelas coisas...  São fortes. Quando estava se transformando papai me chutou pra fora de casa e eu cai no asfalto. Ele ficava se debatendo e depois parou, morto no chão, a mãe foi até ele e ele mordeu ela, ela deixou o pano cair no fogão e tudo começou a sair do controle, ela pegou o papai semi transformado e levou ele pra cima chamando os outros zumbis da casa. Bryan correu pra me ajudar a me levantar, mas duas coisas vieram atrás dele e então ele correu para trás da casa. A metade da casa quase explodiu e eu vi... Alguns bichos voando pra todo lado – Peguei as três bolsas de medicina que meus pais guardavam em baixo da cama, e então fiquei imaginando “e se eu não tivesse saído de casa? Minha mãe estaria viva? Meu irmão estaria com a costela quebrada? Tudo teria dado certo? Ou eu estaria morta?” – eu só não entendi como você conseguiu derrubar um deles, se o papai conseguiu quebrar minhas costelas com um chute.
- Acho que quando totalmente transformados eles ficam lentos. E mais idiotas – Coloquei as bolsas dentro da uma mochila e dentro dela um cobertor e uma foto. Uma foto de família, ridículo né? Tudo explode e eu pego fotos de família. Mas acho que é isso, as pequenas coisas que fazem o resto da vida valer a pena.
- E como é?
- O que? – Perguntei abrindo a porta do guarda-roupa.
- Lutar com um deles – Parei.
- É estranho. E assustador – Meia verdade, é estranho e assustador. Mas é bom. Quando eu cortei a cabeça do primeiro era como se eu tivesse descarregando toda minha raiva guardada do mundo, das pessoas, de mim naquele monstro.
- E é certo?
- O que?
- Matar eles – Eu dei um sorriso debochado, e joguei todas as roupas do armário no chão. Levantei e pisei no chão dele, quebrou. Sabia. Meus pais guardavam armas, cartuchos de balas, machados no guarda-roupa. Soquei tudo dentro da mochila.
-Eles não são mais pessoas Dylan. É eles ou nós. Matar ou morrer, não ligo – Isso soou mais frio do que eu queria – Consegue andar sozinho?
- Consigo.
- Bryan!
- Oi, cheguei – Ele apareceu na porta do quarto.
- Cadê a chave do carro?
- Lá em baixo – Olhei pros dois, eu mais parecia um general fugindo de um campo cheio de granadas do que uma irmã mais velha tentando proteger os irmãos idiotas. Eu só queria sair daqui, mas estava tão preocupada em salvar a gente, proteger ele que não percebi como eles estavam assustados. Respirei fundo e disse tentando parecer legal:
- Ta bom, Dylan pra onde quer ir?
- Hm... Las Vegas.
- Vegas baby! – Bryan começou a rir- Eu sempre quis dizer isso.
- Para de ser idiota Bryan – Disse Dylan revirando os olhos.
- Cala boca Dylan.
- Vamo logo! – Bryan pegou duas mochilas e eu uma descemos as escadas. Eu fiquei com uma arma na mão – meu pai levava a gente pra caçar quando éramos menores, o conceito da arma é simples, destrave, mire, calma, atire, fim - Dylan pegou água da geladeira, algumas bolachas e as chaves, colocamos as malas no porta malas e eu comecei a dirigir. Quanto mais eu dirigia mais gostaria de voltar pra casa, quanto mais eu via mais percebia que estávamos em guerra. As ruas passaram de limpas e acolhedoras para sujas e mortais. As latas de lixo reviradas e em chamas, lixo espalhado por todo lugar, zumbis andando lentamente pelas ruas, pessoas trancadas dentro de casa. Casas destruídas – como a nossa - uma tempestade chegando.
Não me admira a água ter acabado, num apocalipse quem trabalha? Presumo que nada mais esteja funcionando, muito menos o governo. Desde quando funcionou? Acho que não tem mais regras, agora entramos pegamos o que precisamos e saímos. Parei o carro, abri a porta. Sai do carro.
- Dallas – Chamou Dylan.
- Não se mova – Andei até o gramado na calçada. Ouve um acidente, um carro prata capotado dois zumbis adultos se alimentando de uma pessoa menor, criança. Atrás do carro tinha uma cadeira de bebe. E no assoalho uma foto ensangüentada de uma família. Pai e mãe comendo o filho. Destravei a arma e atirei na cabeça dos dois. E na do menino pra garantir que não voltasse. Tirei uma mochila do banco de trás pelo que percebi, pela falta de uso tudo dentro da mochila acaba de ser “roubado” de alguma loja. Levei a mochila pro porta malas.
Deveria me sentir suja? Roubando coisas de pessoas que acabaram de morrer? Mas isso é pura sobrevivência,certo? E... É roubo roubar o que já foi roubado? Ou seria mais um caso Robin Wood?  Não sei se deveria sentir pena, remorso ou angústia por eles. Mas a verdade é que eu não ligo pra eles. Entrei no carro, pelo retrovisor vi Dylan dormindo no banco de trás. Os remédios fizeram efeito.
- Não sei se é certo o que estamos fazendo – Disse Bryan.
- O que?
- Olha viver num mundo como este é difícil, mas pior seria perdermos nossa humanidade.
- Onde você quer chegar?
- Matar o pai e a mãe Dallas. Pegar a mochila de alguém na rua, sair pra um lugar que nem sabemos se é seguro.
- Lembra quando tudo começou? O que o pai disse? – Perguntei.
- “Vamos ficar em casa. É seguro aqui”
- E o que a mãe disse?
- “Se não deixarmos o mundo exterior entrar, podemos ficar num lugar só”
- Viu como eles estavam errados? Não existe essa porra de “mundo exterior não entra” Não podemos ficar trancados num lugar só, nenhum lugar é seguro, mas não podemos ficar parados também. Vamos a Vegas, e depois pra outro lugar.
- Fazer o que? – Perguntou ele olhando pra mim.
- Nos mover. Não podemos ficar trancados. É pior – Bryan respirou fundo.
- Você acha que eles se lembram? – Perguntou ele – Quem eram antes da... Transformação?
- Duvido. Se lembrassem não tentariam nos comer.
- Tem razão... Como você conseguiu?
- O que?
- Matar o pai e a mãe. Sem dor – Ele me olhou. Sem dor? Eu me torturo por isso desde que eu fiz, eu sei que fiz a coisa certa. Não eram nossos pais, mas mesmo assim fiquei pensando “e se tiver uma cura? E se eles puderem voltar? E se eles voltarem ao normal?” mas tem muito “e se”. Muitas duvidas, e não a tempo pra elas.
- Não eram nossos pais. Eram monstros.
- Mesmo assim, acho que... CUIDADO – Pisei no freio. Um homem, um garoto e duas meninas correram no cruzamento.
- Mas que droga! Prestem atenção! – Disse abrindo a janela.  Eles correram até mim, uma garota se ajoelhou na janela.
- Por favor, nos ajudem. Por favor – Ela tinha cabelo preto, tatuagens tribais no braço e olhos pretos
- O que foi?
- Tem uma horda de errantes vindo pra cá – Respondeu o homem, ele era alto, musculoso, moreno, olhos pretos, seu cabelo cortado igual a um guerreiro de guerra com cicatrizes no rosto – Podem nos ajudar? – “viver num mundo como este é dificil, mas pior seria perder nossa humanidade”  droga de consciência. Olhei pra trás, Dylan já tinha acordado. Bryan olhava pra mim, tudo depende da minha decisão.
- Eu vou me arrepender disso. Entrem.
- Obrigada – Eles abriram a porta e sentaram apertados atrás, cruzei a esquina uma horda vinha daquela direção. Uma daquelas coisas: Inofensivo. Uma horda: Fode. Voltei a dirigir, os zumbis estavam chegando. Um amontoado de 40 grunhidos, zumbindo no seu ouvido pode te deixar louco. Primeiro erro: Virei uma esquina e tinham dez deles ali, se alimentando. Atropelei um, atirei no outro. O barulho ecoou por todas as ruas ligadas aquela. De cada esquina vinha mais uma horda de zumbis.
- Puta que pario – Disse uma das meninas, ruiva, olhos azuis, pele muito clara. Pensa rápido Dallas, pensa rápido. Estávamos cercados não tinha pra onde ir, não tem como sair dessa rua. Olhei para trás, naquela velocidade eles chegaria aqui em 4 minutos.
- Dallas – Chamou Dylan, a testa dele voltou a sangrar. E ele estava pálido. Perdendo muito sangue. Tem um hospital a 15 minutos daqui.
- O que a gente faz?? – 2 minutos. Todos olhavam pra mim, droga eu não tenho as respostas pra tudo!
- Dallas o que a gente faz?!
- Eu não sei merda! To pensando! – Olhei pra trás de novo, eles estão se aproximando – droga, droga,droga – e agora? - Vocês tem armas? Machados? Ou sei lá – Eles assentiram – Ótimo. Saiam do carro.
- O que?!
- RÁPIDO! – Abri a porta – BRYAN AJUDA O DYLAN!
- Você ta zoando?!
-TO COM CARA DE QUEM TA ZOANDO? VÃO PRAQUELE PRÉDIO! RÁPIDO! – Eles saíram correndo, o homem e as duas meninas atrás, abri o porta malas – GAROTO! – Ele virou, cabeludo castanho, olhos da mesma cor, pele clara – Qual seu nome?
- Austin – Estendi a mão pra ele, e ele apertou.
- Dallas. Austin toma – Dei uma arma pra ele. 1 minuto – Me dê cobertura – Ele me olhou – Sabe usar uma dessas, não sabe? – Ainda olhando pra mim ele destravou a arma e atirou na cabeça de um zumbi.
- Sei – Peguei a mochila, o homem saiu com um machado do prédio e ficou na frente da porta de incêndio decepando a cabeça de todos errantes que tentassem passar. Coloquei a mochila nas costas e prendi o machado na minha cintura, Austin colocou uma mochila nas costas e eu joguei uma para o homem na frente do prédio. Peguei uma arma, e atirei na cabeça de um errante. Eu vi aquele momento em câmera lenta, eu destravando a arma com o dedão, apertando o gatilho, bala de prata voando e explodindo os miolos do morto. Puxei Austin pela camiseta e corremos em direção ao prédio. 0 segundos. Eles estavam pulando por cima do carro dos meus pais o homem abriu a porta e entrou, pelo canto do olho vi dois zumbis, a porta estava aberta, comecei a calcular o plano. Joguei Austin pra dentro, ele caiu e entrou escorregando no prédio e esse foi o tempo de eu desprender o machado da minha cintura e passar na garganta do zumbi. Me virei, chutei o queixo do outro ele caiu e eu atirei na cabeça. Um deles agarrou meu cabelo eu peguei o machado e segurando com força com as duas mãos afundei na cabeça dele. Ele caiu no chão me levando junto, senti escorrer alguma coisa pela minha nuca. Austin me arrastou pra dentro do prédio. O homem fechou a porta.
- Aquele filho da mãe arrancou meu cabelo – Disse passando a mão na cabeça. Limpei o sangue na blusa suja.
-Dick Jackson – O homem estendeu a mão pra mim e me ajudou a levantar.
- Dallas.
- Pai – Disse a garota ruiva no topo da escada – Temos um problema aqui – No corredor de cima tinham uma mulher, um homem e uma criança, um menino de 10 anos. O homem apontando uma arma para nós.
- O que vocês pensam que estão fazendo? – Perguntou ele.
- O que quer dizer? – Perguntei.
- Atirando por ai como se estivéssemos em tempos normais. O barulho atrai atenção deles, idiotas.
- Sinto muito senhor – Disse irônica – Mas não deu tempo de pensar no meio de um ataque – Ele sorriu e abaixou a arma.
- Podemos ficar com vocês? Não vai ser por muito tempo, eu juro. Só por esta noite – Perguntou Bryan.
- Esse ferimento – Disse a mulher,apontando pra mim – É uma mordida?
- Não.
- E o seu? – Perguntou apontando pro Dylan.
- Não.
- Então podem entrar.
No final das contas, Bryan tinha razão. Teríamos morrido sem ajuda dessas pessoas, e tem também o fator lealdade, onde você deposita sua confiança em alguém. Eu fiz isso com Austin e ele me ajudou. Quer ver o caráter de uma pessoa? Confie nela. O fato é que não importa o quão difícil sua situação esteja, nunca perca sua humanidade.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Bem-Vindos ao fim.

Capitulo 1 – No Soul

Eu estava trancada dentro do guarda roupa, meu nariz entupido e eu respirando pela boca vendo uma fumaça pelo ar frio da tarde. ‘’Se a morte conta uma história, você tem que parar para ouvir’’ essa é a frase primeira frase do meu livro favorito ‘’A menina que roubava livros’’ levo essa frase como lição de vida. Ela é boa, combina comigo. A quase um ano a primeira aparição ocorreu, no interior dos Estados Unidos. Começou com um experimento, cientista brincavam de Deus com seus jalecos e conversa intelectual, alguma merda eles fizeram, morreram. Voltaram infectaram a pequena cidade do Tenneesse, depois Colorado,  Los Angeles, e agora em Nevada.
Não posso ficar aqui pra sempre, meia hora dentro do guarda roupa porque a medrosa aqui não quer ver o que ta lá fora. A 2 meses eu estava com minha mãe, pai, e meus dois irmãos mais novos trancados dentro de casa na esperança de que o mundo exterior não viesse para dentro. Péssima noticia para mim, essa porra de “mundo exterior não entra” não existe. Hoje de manhã fui silenciosa a duas quadras de casa até cidade pra pegar o necessário no mercado e quando voltei a casa estava em chamas.
-Dylan – Dylan é meu irmão, ele tem 15 anos. Ele tem cabelos castanho claro olhos da mesma cor, pele clara - puxou pro meu pai- estava caído na frente da casa, sangrando, coberto de fuligem. Sozinho. Sem mordidas. Sentei ao lado dele – O que aconteceu?
- Papai tropeçou na mesa e caiu com as mãos na porta. Alguns zumbis na rua invadiram a casa – Engoli em seco.
- Cadê o Bryan? – Tava tão frio que pensei que ia congelar
- Não sei.
- E a mamãe? Papai? – Dylan me olhou, com os olhos cheios de lágrimas. Meu coração quebrou ao meio – Consegue se mover? – Ele balançou a cabeça – Legal, então vem – Ajudei ele a levantar. Dylan segurou a costela e começou a andar. Demos a volta na casa, achei Bryan andando na nossa direção. Bryan é igual a mim tem cabelo preto, olhos azuis, pele clara, seríamos gêmeos se ele não tivesse nascido dois anos depois de mim. Nossos olhos azuis são iguais a mamãe – Bryan vai na frente e tenta apagar o fogo, eu vou entrar e ver o que eu consigo recuperar.
- A gente vai sair daqui?
- Você quer ficar aqui até ser devorado vivo? – Ele me olhou nos olhos e depois foi pra frente. Entramos pelos fundos da casa, andamos silenciosamente pela casa. Meu pai era médico, minha mãe também. Eles me ensinaram muito, então eu sei o suficiente para sobreviver. Subimos as escadas, fomos até o final do corredor abri a porta do quarto da minha mãe. Três zumbis, mas a pior parte era ver que dois deles eram meus pais. Em todo esse ano convivendo com um mundo morto nunca pensei que pudéssemos morrer ou virar um deles, até hoje. Os zumbis só olharam pra mim e depois começaram a andar e grunhir em minha direção. Fechei a
porta, Dylan caiu. Pelo que eu percebi pelo menos três costelas quebradas e um corte fundo na testa.
- Dylan olha pra mim – Sussurrei. Ele me olhou – Respira fundo, tudo bem? – Ele balançou a cabeça – Legal – Ajudei ele a levantar.
- Gente –Disse Bryan correndo escada a cima – A água acabou.
- Ótimo.
-Que barulho é esse? – Bryan colocou a orelha na porta do quarto dele – Tem mais dessas coisas aqui?
c
Essa é a minha história. Não posso ficar aqui, quanto mais tempo ficamos presos, dentro de um lugar que parece seguro mais inseguro será este lugar. Na minha mão direita vinha do meu osso do dedão até a metade da minha mão minha tatuagem “No Soul”. Fiz no meu aniversário deste ano, de 17 anos. Meus pais só me deixaram fazer ela porque pensavam que eu era responsável. Responsável eu deixar a família morrer? Aqui? Agora?
A porta cedeu, Dylan ofegou peguei na mão dele, e fiz sinal pra ele fazer silencio. Bryan olhou pra mim com o medo estampado nos olhos. Dava para ver todos os quinze zumbis por entre as frestas do armário, eles olhavam o lugar grunhindo desesperado por carne. Não posso ficar mais aqui. Peguei um machado no guarda roupa do Dylan – desde que tudo começou, papai sempre deixava alguma coisa dessas pra emergência – Olhei pros dois. Bryan fez “não” com a cabeça. Levantei, peguei fôlego e abri o armário. Antes que eles notassem minha presença cortei a cabeça do primeiro. Foi bom, muito bom. Cortei a cabeça do outro, sua cabeça se espatifou na parede fazendo sangue jorrar por toda pintura branca.Um outro veio na minha direção chutei o zumbi, outro veio em cima de mim pisei com força no crânio podre do morto fazendo meu all star vermelho ficar encharcado de sangue preto e decepei a cabeça do próximo. Um veio por trás de mim, cai no chão o machado voou pra longe.
-DALLAS! – Ouvi Bryan gritar. O zumbi virou a cabeça pra ele, segurei o pescoço dele me ajoelhei e com um movimento rápido quebrei o pescoço dele.
- Não grita – Sussurrei, mais friamente do que gostaria. Agachei e peguei o machado, ouvi grunhidos e passos pesados vindo pra cá. Já sabia quem eram, e não queria que meus irmãos vissem isso. Saí do quarto, minha mãe com olhos leitosos e pele pálida, vinha arreganhando os dentes, grunhindo, cuspindo um sangue preto na minha direção. Não quero fazer isso, matar minha mãe. Não, essa não é minha mãe. É um monstro, um monstro que não sabe quem eu sou e que vai me matar sem remorso.
Meu pai, olhos leitosos pele pálida o mesmo andar pesado.
-Sinto muito por não evitar isso, mas agora vai pra um lugar melhor – Você pode até pensar que isso é piegas, mas é a verdade. Como pode ter um lugar pior que aqui?
Segurei o machado com força, tomei fôlego e decepei as duas cabeças de uma vez.
Engraçada a vida, numa hora você tem tudo. E na outra nada.
Numa hora você está feliz, mas uma coisa acontece e te deixa triste. Mas se isso já aconteceu significa que você tem que pensar. Eu me pergunto: Eu sou feliz?  Não. Antes minha vida era normal, amava meus irmãos pentelhos e pais irritantes. Mas eu já sabia que não importa o que eu fizesse não iria sentir a verdadeira felicidade. Agora? Felicidade não consta. 
Mas e você? É feliz? Se pensou mais de 10 segundos, a resposta é não.