quarta-feira, 17 de julho de 2013

Capitulo 5 – Down goes another one

Subimos as escadas do prédio com cuidado e então eu abri a porta, todos olharam:
- Graças a Deus – Disse Lola se levantando – Ué, cadê o... – Austin balançou a cabeça negativamente, Lola não respondeu apenas abaixou o olhar.
- Como ele tá? – Sentei do lado do sofá de Dylan, Dick e Sr. Smith olharam minha blusa e cabelo cheio de sangue, Dick pigarreou.
- Logo que você saiu ele fico agitado, e depois desmaiou.
- Ta bom – Eu olhei pro Dylan e pensei “como eu conto?” – Austin trás a caixa, por favor – Ele sentou no chão ao meu lado – Vou precisar da sua ajuda, e da sua Dick – Eles assentiram. Olhei na caixa, Bryan só pegou a metade das coisas que eu precisava. Provavelmente já tinham pegado. Não da pra fazer o gesso. Mas Bryan foi esperto, ele pegou três talas e muita gazzi – Vou colocar essa coisa no lugar – Segurei na costela dele com a mão direita e puxei pra dentro. Dylan gritou, teve um ataque epilético. Dick ia segurar ele, eu o impedi. Me debrucei em cima dele e o segurei com o braço direito. Logo ele parou de se debater e ficou desacordado de novo – Austin segura aqui – Ele levantou o tronco de Dylan, segurou a parte de cima e a de baixo da coluna dele. Peguei a tala – Dick pressiona aqui – Ele colocou na parte da coluna quebrada, eu peguei a gazzi e enrolei.
O dia foi passando, e eu continuei sentada no chão com as costas encostadas no sofá. Passei uma pomada para não infeccionar minha mão direita e enrolei gazzi pra parar de sangrar.
- Dallas – Olhei pra trás, os outros olharam pra ele. Fiquei feliz por ele ter acordado, mas não queria conversar. Porque conversa, levaria a pergunta que eu não quero responder.
- Volta a dormir Dylan – Ele olhou em volta.
- Cadê o Bryan?
- Vai dormir Dylan – Olhava pra minha mão, não quero olhar pra ele. Ele sentou.
- Dallas cadê o Bryan?
- Deita, se não a tala sai.
- O QUE ACONTECEU? CADÊ MEU IRMÃO?  - Um bolo formou na minha garganta, não conseguia responder. Lágrimas aglomeraram nos meus olhos – CADÊ ELE DALLAS?! O QUE ACONTECEU?
- EU O PERDI! NÃO CONSEGUI TRAZER ELE DE VOLTA! – Virei e encarei Dylan nos olhos – EU PERDI ELE!
- o que?
- Desculpa, não consegui – Abaixei o olhar, me virei. Dylan me abraçou por trás, isso não me fez tranqüilizava só aumentou a dor.
Para uns a culpa é uma sentimento bonito onde alguém se senti resposável pelo outro que não conseguiu salvar, para outros a culpa é um fardo, pra mim é os dois. Culpa é hipocrisia. Não está preocupado com o outro, está preocupado com seu ego que foi ferido, depois de não conseguir o que gostaria.
- Não foi sua culpa – Eu assenti, só pra não ter que discutir. O dia se foi, a noite chegou. Ninguém falava muito, todos se deitaram nos sofás, poltronas, e eu continuei sentada no chão. Alguém tem que ficar de olho na porta, não podemos dormir todos juntos, para não sermos pegos de surpresa.
Meu braço quebrado ainda doía,mas eu não ligo mais. Não ligo se meu braço está quebrando, tudo que estava na minha cabeça é que deixei meu irmão morrer. Passei tanto tempo com a família, tanto tempo com zumbis que esqueci que existiam mais pessoas no mundo. E acima de tudo, esqueci o que pessoas fazem. Elas ferem.
Austin levantou da poltrona, viu Amora no chão e carregou a irmã até a poltrona dele. Pegou uma lanterna, andou até mim e sentou ao meu lado.
- Não vai dormir?
- Não posso.
- Não pode ou não quer? – Perguntou ele.
- Não posso.
- Porque?
- Não consigo – Ele me olhou e depois olhou pra baixo. Tirou um anel do dedo dele. Um anel de prata, um anel bonito.
- No dia que minha mãe morreu, eu sentei na cama com ela e disse “desculpa por não te agradar mãe, sempre fiz o possível” o câncer no pulmão impedia que ela respirasse ou falasse direito, mas sussurrou “Aquele que tenta agradar a todos, morre cheio de arrependimentos” ela me entregou esse anel e disse “Segure isso, quero que se lembre que uma hora tudo acaba” – Ele me deu um anel.
- Eu não posso aceitar isso.
- Pode, e deve – Eu segurei.
- Obrigada Austin.
- Tudo bem.
- Eu pensei que ele tivesse mais tempo
-Sempre pensamos que temos mais tempo, mas então o tempo acaba - Olhei pra ele. E coloquei o anel. Girei ele no dedo – Ta pensando em que?
- Que temos que sair daqui.
- E nós vamos pra onde? – Perguntou. Ele girou a lanterna pra de baixo do rosto, como se fosse contar uma história de terror.
- Vegas.

- Tem certeza que vocês não vem com a gente? – Perguntei no dia seguinte, enquanto o sol nascia para Sr. E Sra. Smith.
- Nosso lugar é aqui.
- Tudo bem – Disse – Obrigada por tudo - "nosso lugar é aqui" bobagem. Esse lugar está instavel, não vai ficar em pé por muito tempo.
- Imagina – Responde Sra. Smith – Que Deus lhe acompanhe – Deus? Quando meu irmão morreu ou eu pedi pra ele aliviar a dor ele não me ouviu. Porque vai me acompanhar? Sorri e assenti. Descemos as escadas e passamos a procurar um carro.
- O que aconteceu com seu braço? – Perguntou Dylan.
- Quebrei.
- Como?
- Cai no poço do elevador – Ele ergueu as sobrancelhas. Movimento – Abaixem – Todos abaixaram atrás do carro, por baixo do carro vi os pés de cinco zumbis. Uma lata de lixo caiu, olhei pro lado, mais cinco zumbis.
- Porra e agora? – Perguntou Lola. Olhei ao redor, a frente está livre. Atrás de outro carro saíram doze zumbis. Frente não livre mais.
- Dylan – Sussurrei – encontra um carro, e faz ligação direta – Ele assentiu – Amora, Lola dêem cobertura pra ele – Assentiram – Dick, Austin vem comigo.
- Pra onde? – Perguntou Austin. Eu sei é suicídio correr no meio de cinquenta zumbis, mas o que outra alternativa temos? Girei no dedo o anel de prata que o Austin me dera, como se ele tivesse me dando certeza do que estava fazendo.
- No três, um... dois...três. – Me apoiei na mão direita a comecei a correr rua a frente. Os zumbis demoraram um pouco pra perceber o que estava acontecendo, já tínhamos passado deles quando começaram a grunhir em nossa direção.
- O que estamos fazendo?! – Gritou Dick.
- Distração! – Gritei. Dick riu.
- Qual a graça?! – Gritou Austin.
- EU SERVI AO PAÍS COMANDANDO AS GUERRAS MAIS SANGRENTAS, MAS AGORA NA PIOR GUERRA MINHA VIDA ESTÁ NA MÃO DE ADOLESCENTES.
- Os tempos mudaram Sr. Jackson – Parei bruscamente na frente de um prédio de construção. Eu consigo pensar rápido, sou boa em quimica, fisica e matemática basica. Mas o melhor adjetivo que eu tenho é ter audição apurada. O problema é que quando eu penso rápidamente eu tenho tiques do tipo, ando de um lado pro outro, mecho muito as mãos e falo rapido, as vezes é difícil acompanhar meu proprio raciossinio. Dick e Austin pararam abruptamente um pouco mais a frente – Por aqui – Eles correram pra dentro do prédio – Dick segura a porta! – Ele encostou sua larga costa na porta, durante um tempo todo barulho que tinha era só a goteira do teto, olhei ao redor da sala.
- O que estamos procurando? – Perguntou Austin.
- Uma saída.
- Então entramos nesse prédio de alegres? – Perguntou Dick.
- Isso é um prédio em reforma, um prédio antigo como este sempre tem canos na parede por onde passa gás carbono nela. Aqui temos madeira, oléo e a luz solar – Olhava pelas paredes, enquanto girava o anel de prata.
- E como vamos fazer pra saber onde está o cano? – Perguntou Austin. Todos ficaram quietos, neste momento o único barulho era o de movimento surdo e morto dos errantes lá fora. Andei até a parede e coloquei o ouvido nela.
- Aqui – Austin ergueu as sobrancelhas. Peguei a marreta do chão com a mão direita, segurei com força e bati na parede. O volume dos grunhidos aumentou, os socos e a força que faziam pra entrar fazia com que Dick perdesse a força na porta. Bati de novo, o zunido e grunhidos faziam um barulho irritante nos ouvidos. Bati mais uma vez, o cano quebrou. O gás saía com força de dentro do cano – Austin segura essas madeiras aqui – Ele pegou, e eu peguei o óleo – No três a gente corre pra cima.
- O que? Isso é suicídio. Não podemos largar essa porta, eles vão entrar e vamos todos morrer - Disse Dick.
- Não, não vamos. No três...um...dois...três! – Dick soltou a porta, Os errantes encheram rapidamente a sala, Austin estava subindo, e eu logo atrás dele – Aqui! – Abri a porta, eles entraram e eu fechei a porta. Fui até a janela, outro prédio a um metro daqui. Austin me ajudou a pegar a madeira e colocar no parapeito da janela até o da outra janela, fazendo uma ponte – Você primeiro Austin – Ele subiu e foi cuidadosamente até o outro prédio. Olhei pra tras.
- Vai Dallas – Disse Dick. Subi na madeira, ela começara a rachar e balançava com o movimento do vento. Cheguei do outro lado. Chamei Dick com a mão.
- Dick! Pegue o Oleo e a trinta centimetros do prédio despeje na madeira! – Ele assentiu, subiu na madeira, pesado demais, despejou o oleo, perto demais, a porta cedeu, cedo demais. Dick estava chegando, mas a luz solar o oleo e o gás carbono fizeram a combustão espontanea, cedo demais. O prédio explodiu levando os zumbis e a metade da madeira com ele. Dick caiu, eu o segurei. Austin segurou minha perna.
- Você conseguiu garota, deu certo – O tom da despedida. Odeio despedidas, e odeio a falta de fé que a maioria das pessoas tem nessas horas.
- Eu disse que daria – Desejei que meu braço esquerdo não estivesse quebrado, Dick é um homem pesado e está escorregando. Austin não vai conseguir me segurar por muito tempo, rezei para que Dick não escorregasse, para que Austin puxasse nós dois pra dentro, ou até para que Dick não sofresse na queda. Mas Deus parece ter tirado férias, ou se cansado de atender a orações, ou pelo menos parou de ouvir ou de tentar.
- Solte.
- Não vou soltar Dick.
- Você não tem escolha, vai soltar querendo ou não – SEGURA MINHA MÃO BRYAN! – O elevador cedeu, e caiu. Levando meu irmão para de baixo dele.
- A gente consegue.
- Eu estou feliz por ir - Dick forçou um sorriso.
- Não diga isso, a gente consegue.
- Acho que não – Ele olhou nos meus olhos, Dick escorregou, caiu de barriga pra baixo no chão. Um poça de sangue rodeou seu corpo muito rápido, Austin me puxou. Por um momento eu fiquei antônita, sem saber o que fazer. Ou o que falar. Austin correu para janela, uma coisa é eu deixar meu irmão morrer. Meu problema, minha dor. Outra coisa é eu deixar o padrasto de outras pessoas morrer, nosso problema, nossa dor, meu erro. Austin virou pra mim, não parecia decepcionado, magoado, ou irritado comigo, só conseguia ver o luto natural.
- Me desculpa – Eu abracei ele, e ele me abraçou.
- Tudo bem, não foi sua culpa – Ele passou a mão no meu cabelo.
- Desculpa – Lágrimas desceram dos meus olhos, não era pra isso ter acontecido. Não digo nem por Dick, mas pelo Austin. Ele é um cara legal, que não merecia esse tipo de dor. Acho que fiquei mais preocupada com a dor dele, do que com a de Dick. Pelo menos ele não tem que viver fugindo como nós.
- Tudo bem – Quando quer saber o que alguém está sentindo, olhe em seus olhos. A pessoa pode mentir para todos, até para si mesma mas sempre há verdade nos olhos. No  momento final é onde as pessoas mais mentem. No último suspiro agem como se quissessem isso, quando na verdade estão morrendo de medo. No ultimo instante ninguém é corajoso o suficiente para dizer “eu não quero morrer” mas são mentirosos o suficiente para dizer  “estou feliz por ir”

sábado, 13 de julho de 2013

Capitulo 4 – Safe and Sound, but not here.

A explosão apesar de controlada fez o resto do prédio balançar, fiquei com medo de ceder.
- Droga – Disse.
- O que? – Perguntou Bryan.
- Não temos contato com eles lá dentro, celular não funciona. E agora?
- Bom, eu tenho uma coisa – Disse Austin, virei pra ele – o Dick, era guerreiro. Ele batalhou na guerra civil, e quando voltou, voltou meio paranóico. Deu pra gente um mini walkie talkie, que coloca no ouvido ninguém vê e a pessoa que está com ele ouve, e da pra conversar. Mas o walkie talkie fica invisível pro resto – Ele virou e mostrou um aparelho super pequeno e preto no ouvido dele, eu sorri.
- Deus abençoe os paranóicos – Ele sorriu, tirou dois aparelhos iguais do bolso e deu um pra e o outro para Bryan – Vamos.
O hospital estava quebrado. Não é pra menos, não esperava que o hospital o maior centro de tratamento a doenças estaria intacto num lugar onde todo resto está pior. Toda luz que entrava era das janelas, os raios de sol iluminavam boa parte do hospital. Na entrada era o hall vazio, com cadeiras caídas, mesa reviradas, geladeira de vidro quebrada, com uma latinha espirrando refrigerante dentro.
- Tudo bem – Disse Austin – Não temos muito tempo. O barulho daquela explosão vai atrair a atenção de outros. E duvido que estejamos sozinhos aqui. Do que precisamos?
- Bryan pegue o aparelho de transfusão de sangue, agulhas, a linha e gazzi. São pequenos, então coloque nessa caixa aqui – Peguei uma caixa de papelão do chão e dei pra ele – Deve estar nessa ala aqui. Procure pra lá – Apontei para um corredor que saia do hall de entrada – ta com arma carregada?
- Sim.
- Então se cuida – Ele assentiu, pegou a caixa. Peguei um pedaço de ferro no chão e coloquei no meio da fechadura da porta principal – nenhum deles vai entrar aqui.
- Nem sair – Disse Austin.
- Nenhum plano é perfeito.
- Do que precisa? – Austin virou pra mim.
- Preciso que você pegue um aparelho de choque, sabe? Aqueles que reanimam as pessoas?
- Sei.
- Pegue ele, e sangue. A+
- Dylan é A negativo – Disse Bryan.
- Só eu e você somos A negativo, ele é positivo.
- Jura? – Eu assenti.
- Eu acho que isso ta lá em baixo. Vou pegar uns remédios lá em cima, a gente se encontra aqui em 15 minutos. Se algum de nós demorar mais que isso, vão atrás do outro – Avisei.
- Fiquem em contato – Disse Austin, ele correu e desceu as escadas. Bryan pegou a caixa e correu pelo corredor, eu corri escadas a cima. Tinham corpos de enfermeiros zumbificados pela escada, sangue, órgãos, pedaços de carne corpórea, cheiro rançoso de carne podre, morte, e medo. Meu medo. O corredor de cima estava pior que o de baixo, tava mais vazio. Uma única luz no teto piscando. “Sala de medicamentos. Entrada exclusiva de funcionários”  aqui. Abri a porta.
- Opa, temos companhia – Um homem, branco, careca, musculoso, com roupa preta, e uma arma apontada pra mim. Levantei a minha.
- Não quero confusão – Me controlei pra não tremer, medo. Eu tenho um problema com medo, sempre tive. Medo de errar, de não agradar, medo de não conseguir, de não ser suficiente, medo de fracassar. Hoje não – Só preciso de alguns remédios e...
- Pois é, mas eu também preciso deles.
- Podemos dividir.
- Não – O homem olhou nos meus olhos, minha vontade era sair correndo e desistir. Mas não, pelo Dylan não – Eu preciso de todos – Chacoalhei a arma pra cima destravando ela.
- Então parece que temos um impasse.
- Eu descordo – Uma voz de mulher, ela colocou a arma na minha cabeça por trás – Que tal bater um papinho a sós? – Cabelo curto como o meu agora, olhos pretos, roupas pretas, morena, me empurrou até a frente do elevador da sala. Minha cabeça buscando freneticamente um plano, não consegui pensar em nada. Duas armas, contra uma. Ela apertou o botão do elevador, ta sem energia aqui. Não faz diferença, pra minha surpresa a porta abriu.  Eu quase escorreguei, mas me segurei no chão. O elevador não estava lá apenas poço do elevador. Um baque ensurdecedor indicando que uma das salas tinha cedido e os zumbis saído. O homem atirou nos zumbis – DEIXE ESTE! MATE OS OUTROS! – Ele assentiu e fez o que ela mandou. Senti um arrepio quando o zumbi passou por mim, ela derrubou ele no poço do elevador. Depois ela chutou minhas costas, caí em queda livre por 5 metros, entrei em desespero me debatendo no ar e finalmente consegui agarrar no cabo de pressão que segura o elevador, machuquei minha mão com os fios soltos e eu me soltei involuntariamente, bati com tudo no chão. Quebrando meu braço esquerdo. Gritei, senti uma dor tão torturante que preferia ter morrido na queda. Tentei levantar, não consegui e deitei no chão.
- Bom trabalho filha – Ouvi a voz do homem lá em cima.
- Obrigada pai, mas agora temos...-Um grito. Só poderia significar que ela foi atacada por um zumbi. Dois tiros, o que significava que o homem matou o zumbi e a ela. Sentei, segurei meu braço.
-Dallas? Ta me ouvindo? –Ouvi Austin no walkie talkie.
-Austin? To te ouvindo.
- Você demorou, Bryan foi atrás de você.
-Sozinho? Eu disse pra ir os dois! – Droga, se ele chegar e este homem estiver aqui ele vai levar uma bala na cabeça.
-Dallas... Não... Pra baixo... Zumbis... Toda parte... CARAMBA!
-Austin? Austin? – Soquei o chão. Merda. Olhei ao redor, minha arma estava desmontada espalhada pelo chão, peguei os pedaços e sentei no chão pra tentar montar com um braço só. Grunhido, congelei. Rangido de dentes, olhei pra trás o zumbi empurrado antes de mim começava a se mexer. Porra, voltei a montar os pedaços mais rápido. Grunhidos, faltava a tranca da arma, olhei rapidamente para os lados me arrastei o zumbi me olhou– cacete – peguei a trava usei o braço quebrado, a dor que eu sentia não se comparava com a que eu sentiria se fosse mordida. O zumbi se debruçou em cima de mim, deixei ele afastado com a perna, coloquei a bala, ele puxou minha blusa. Atirei.
Caiu sangue no meu rosto, boca, blusa, cabelo, e o corpo morto em cima do meu braço fazendo mais sangue cair na minha camiseta. Meu braço ardendo em dor.
- Que nojo – Empurrei o corpo pro lado – Bryan? – Estática – Bryan? Ta me ouvindo? Bryan? – Estática. Merda, me apoiei no meu braço direito e levantei. Não tem outra saída, eu vou ter que escalar até em cima, agarrei a corda de força do elevador e me puxei pra cima, usei minhas pernas pra me ajudar a ir pra cima puxei um metro e percebi que não ia dar assim. Respirei fundo, peguei a gola da camiseta e mordi. Usei meu braço esquerdo - quebrado – e voltei a subir. Eu poderia até implorar a Deus pra dor passar, mas ele não ia me ajudar agora. Consegui ver a saída, mas tava muito longe pra alcançar. Tanto sofrimento por nada.
- DALLAS! QUE QUE ACONTECEU?! – Graças a Deus Bryan. Eu não consegui falar, se eu soltasse a gola da camiseta eu gritaria de dor – Se balança e segura minha mãe – Assenti, dei impulso na parede e comecei a me balançar. Ouvi um rangido, olhei pra cima. O elevador começou a balançar, ele vai cair – Da tempo, vem logo! – Estiquei a minha mão direita enquanto me balançava, faltava centímetros e Bryan pegou. Me soltei da corta e fiquei pendurada pela mão de Bryan. Vi uma sombra atrás dele, cuspi a gola da blusa pra avisar mas já era tarde. O homem de roupa preto chutou as costas de Bryan, ele soltou minha mão e eu me segurei rápido no chão da sala, aguarrei a mão dele com o braço quebrado. Gritei – Que foi?
- Eu cai do poço do elevador, quebrei o braço.
- Não me diga que é esse que eu to segurando.
- E é por isso que eu preciso que você segure a corda de contenção! – Ele esticou o braço – RÁPIDO BRYAN! – Ele agarrou e me soltou. Me puxei pra cima e senti no chão da sala, nunca me senti tão aliviada. Olhei pra trás, ainda tava todos os remédios que eu precisava ali. Peguei minha arma e deixei na cintura.Deitei no chão de barriga pra baixo – Agarra minha mão! – O elevador vai cair,ele está cedendo, rápido Bryan.  Ele olhou pra cima.
- Dallas, saiba que eu te perdôo por ser uma chata, e gosto que seja assim porque você cuida da gente.
- Porque eu sinto isso como se fosse uma despedida.
- Eu te amo Dallas – O elevador rangiu e caiu meio metro.
- EU TAMBÉM DE AMO MERDA! – Estiquei minha mão o máximo que mude – SEGURA RÁPIDO! – Ele esticou o braço, me olhou no olhos, o elevador caiu. Esmagando meu irmão em baixo dele. Uma poeira subiu, não ouvi um grunhido de dor sequer – Bryan – sussurrei chamando. Isso não está acontecendo, ele está ali. Ele vai levantar com um sorriso e dizer “oi otária, achou que eu ia te deixar é?” – Bryan – Sussurrei de novo, lágrimas começaram a cair dos meus olhos, e foi ali e que percebi que estava tudo acabado – BRYAN! – Fiquei olhando para o elevador caído. Eu sabia que o elevador ia cair, porque eu fiz ele ir pela corda? Porque ele não veio pela parede? Porque eu deixei ele morrer?
- Sinto muito pelo seu irmão – Ouvi o homem atrás de mim, não tinha mais medo. Só raiva, ódio e mágua subiram na minha garganta. Não sei se dele ou de mim. Peguei minha arma, mas não atirei, bati com ela na cabeça dele. Ele se afastou e abaixou a cabeça e eu chutei o nariz dele. Ele caiu, fui até ele, ele segurava o nariz sangrando. Sentei em cima da barriga do homem, soquei seu rosto, e soquei de novo e de novo eu estava com tanta raiva que poderia acabar com ele bem ali. Soquei o chão, bem do lado dele, o homem se assustou. Me debrucei e sussurrei no ouvido dele:
- Da próxima vez que eu te ver, não terei tanta misericórdia. CAI FORA!! – Gritei. Me ajoelhei e deixei ele sair correndo da sala.

- O que você está fazendo? – Bryan saiu de casa, e me viu sentada sozinha no jardim de casa – porque está aqui? E não lá dentro? – Era meu aniversário de 16 anos e ninguém tinha lembrado.
- Não tem nada pra fazer lá dentro.
- Serio? Não acho. Olha só o que eu encontrei! – Ele tirou uma caixinha das costas. Eu peguei, tinha um anel dentro. Era um anel de ouro. – Feliz aniversário – Ele me abraçou. Bryan tinha 15 anos, ele tinha começado a trabalhar numa joalheria.
- Obrigada, Bryan.
Soquei o chão.
- Ei o que aconteceu?
- Cai de skate – Eu tinha 10 anos e ele 9.
- Olha ta sangrando – Bryan andou até mim e beijou meu machucado.
- porque fez isso?
-Mamãe sempre diz que o amor cura feridas, e que o beijo é transferência de amor.
Soquei o chão de novo, dessa vez machucou.

- Dallas corre aqui.
- Que você fez Bryan?
- Comprei chocolate com minha mesada
- Mas a mamãe não deixa comer chocolate em dia de semana.
- E é por isso que eu não contei pra ela. Quer?

Soquei o chão mais uma vez, minha mão começou a sangrar.
- Porque está chorando Dallas?
- Freddy Bruckman me deu um bolo no baile.
- Cadê ele? Eu vou acabar com aquele filho da mãe.
- Não. Bryan senta ai.
- Dallas, não fica assim. Olha eu te pago um lanche. Que tal?

Soquei o chão de novo, e de novo, tinha sangue espalhado por todo chão. Me encostei na parede. Lágrimas escorrendo sem controle dos meus olhos, me apoiei no braço direito e me levantei, peguei uma bandeja e coloquei potinhos de remédio dentro. Coloquei a bandeja dentro da caixa de papelão que Bryan tinha trago. Abri e fechei minha mão direita, ainda tava sangrando, mas eu não me importava mais. Sai da sala, e andei escada a baixo. Austin não estava lá.
Segurei a caixa com uma mão e com a mão quebrada segurei a arma desci as escadas, vi um vulto virei.
- É você... Ufa – Disse Austin. Abaixei a arma – Cadê o Bryan? – Balancei a cabeça – Sinto muito – Ascenti – Me da isso aqui – Ele pegou a caixa e colocou tudo que tinha pegado dentro.
- Tava picotando, não consegui de ouvir – Eu tava me controlando, não vou chorar mais.
- Eu disse que aqui estava lotado de zumbi e – Ele me empurrou pra de trás de um lacuna e foi pra outra do lado. Uma horda de 20 zumbis estava vindo na nossa direção, ficamos quietos. Mau respirávamos, e eles passaram grunhidos, babando gosma preta, andando devagar. Um deles parou entre mim e Austin, grunhiu e depois continuou andando. Suspirei, subimos as escadas correndo. Tirei o ferro da porta, um corpo caiu rolando escada a baixo. O homem de roupa preta, morto. Não sei o que senti, mas foi alguma coisa perto de satisfação. Coloquei o ferro com cuidado no chão, sem fazer barulho, abri a porta e fechei com cuidado. Depois voltamos correndo pro prédio.

- A vida é uma coisa louca, não é? – Perguntei para Bryan enquanto tomávamos sorvete depois da escola – Viver é uma coisa louca.
- Sabe o que eu acho?  - Perguntou Bryan – As pessoas tem que aprender a viver.
- Como assim? Todo mundo vive Bryan.
- Não, poucas pessoas vivem, a maioria só... Existe.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Capitulo 3 – Invasão.


Você já olhou no espelho e viu uma coisa da qual não gosta? Da qual pedisse a Deus para poder trocar? Isso acontece bastante comigo. Eu estava dentro do banheiro o prédio que tínhamos entrado para fugir dos zumbis. Este prédio é um dos poucos que ainda tem água, e não é muita. A Sra. Smith – Um mulher indiana com a roupa longa e rosa e olhos pretos e puxados – pegou nossas roupas pra lavar, Sr. Smith – um homem também indiano, de blusa e calça largos e brancos, sapatos e um cachecol preto – assava um porco que ele tinha caçado a uns dias atrás. Tomei banho e lavei o cabelo, o ferimento na parte de trás da cabeça ardia quando a água tocava. Olhei no espelho, tinha um tufo faltando na parte de baixo traseira da minha cabeça. Abri uma caixinha transparente no chão e peguei a tesoura, cortei meu cabelo na altura do queixo. Tufos negros de cabelo iam caindo aos poucos no chão.
- Obrigada por nos deixar ficar – Disse Dick mais tarde naquele dia, enquanto estávamos sentados no sofá da sala.
- Não vemos muitas pessoas mais, então quando vemos ajudamos – Disse Sr. Smith.
- Porque você cortou o cabelo? – Perguntou Dylan.
- Um zumbi arrancou um pouco então resolvi cortar o resto – Ele ergueu as sobrancelhas.
- Você salvou nossas vidas e eu nem sei seu nome – Disse a garota ruiva.
- Dallas.
- Prazer, Amora – Bryan riu.  Eu olhei pra ele.
- Amora? E suas irmãs são, Maça, Abacate e Banana? E vocês juntas formão uma salada de frutas? – Amora riu sarcasticamente.
- Porque não enfia essa sala de frutas no seu...
- Ei! – A garota morena interveio – Meu nome é Lola.
- Prazer – Disse.
- Então – Disse Amora – Qual a história de vocês?
- Bem curta na verdade – Respondi – eu sai para ir no mercado, e quando voltei a casa estava em chamas e meu pais viraram zumbis.
- Sinto muito – Respondeu ela.
- Vocês são uma família?
- Sim – Respondeu Lola – Eu, minha irmã – Ela apontou para Amora – meu irmão – Apontou para Austin – e meu pai – Apontou para Dick – na verdade, não conhecemos nosso pai, ele morreu antes de nascermos.
- E qual a história de vocês? – Perguntei.
- Desde que tudo começou começamos a viajar, trocávamos de cidade com freqüência. E num dia entramos numa casa, mas tinham errantes dentro. A gente se safou mas meu irmão não...
- Mas e o...
- Éramos em cinco – Interrompeu Amora – Eu, Lola, Austin, o pai e Damian. Ele foi mordido, e se trancou dentro do quarto. Depois que se transformou ele ficou batendo na porta, e nenhum de nós teve coragem de matar ele – Ela deu uma pausa – Você que matou seus pais?
- Aham – Respondi com voz fraca.
- Admiro sua força – Que admirável... A filha pródiga retorna a casa e mata os pais. Palmas.
- O que ouve com sua mãe?
- Ela morreu de câncer uma semana antes de tudo isso começar – Eu ergui as sobrancelhas – pode falar, “sinto muito” “ela esta num lugar melhor agora” todos dizem.
- Não, não vou falar. Porque não sinto muito.
- Como é?
- Sua mãe tem sorte de ter morrido de uma forma normal e não virado um monstro. Tem sorte de não ver seus filhos zumbis... Não que vá acontecer mas...
- Uma possibilidade. Eu sei.
- Dallas – Chamou Dylan, ele estava péssimo. Pálido, sangrando – Eu não sinto meus dedos.
- Bryan cadê a agulha?
- Quebrou.
- Como é que é? – Mesmo fechando o ferimento na testa dele, ele iria precisar de uma transfusão de sangue. Rápido.Eu me levantei e olhei pela janela, todos os zumbis ainda estavam lá em baixo. Uma hora ou outra vão entrar, mas um problema de cada vez. Hospital a 15 minutos daqui, olhei pra trás. Peguei uma mochila – Posso usar?
- Claro – Disse Sr. Smith, peguei um machado. E fui andando em direção a porta.
- To vendo que a pouca inteligência que você tinha acabou de sumir – Disse Bryan parando na minha frente.
- Sai Bryan.
- Você não pode sair sozinha, ta louca? Eu vou com você.
- Bryan você vai entrar em pânico.
- Ou eu vou, ou você não vai – Ele falou tão convicto que eu pensei por um instante que ele achava que poderia me impedir.
- Sai Bryan.
- Você não vai sozinha.
- Eu vou com ela – Disse Austin andando até nós com um machado.
- Ta bom, e eu vou junto – Bryan é tão teimoso que se eu pudesse enfiava o machado na cabeça dele já. Eu revirei os olhos – Quanto mais difícil a situação, menos você pensa nos riscos – Olhei pra ele, e depois para Dylan.
- Eu cuido dele – Disse Dick. Respirei fundo e abri a porta, dava pra sentir o cheiro rançoso de carne putrefata daqui.
- Qual o plano? – Perguntou Bryan, um barulho ensurdecedor veio de baixo. O portão cedeu. Abri a porta.
- Tranquem a porta, não saiam daqui, não façam barulho – O filho dos Smith veio com as mãozinhas tremulas com a chave e trancou a porta – Não tenho plano.
- E então? – Perguntou Austin – A gente improvisa?
- A gente improvisa – Corri escada a cima, e senti o movimento dos zumbis atrás de mim. Um homem enorme, com distintivo militar de um guerreiro civil parou na minha frente – Senhor entre em casa!
- Segura – Ele jogou uma caixinha pra mim – Junte eles lá em cima – Deus abençoe os guerrilheiros americanos. Ascenti, o homem entrou em casa, voltei a correr.  Abri a porta do terraço – NÃO FECHA BRYAN – Ele me olhou confuso e voltou a correr, olhei pros lados, tinha um elevador antigo no terraço que funciona a energia. Não precisamos dela – Austin me ajuda aqui, Bryan cobertura! – Eu segurei no portão de fecho contei até três e nós dois levantamos ele, Bryan correu pra dentro do elevador. Peguei a caixinha e joguei  explosivo no chão. Austin fechou o elevador, nós nos abaixamos eu apertei o botão e tudo explodiu. O explosivo fez com que as cordas arrebentassem e o elevador caiu em queda livre. Caímos do prédio.

Muitas vezes quando ultrapassamos obstáculos pensamos que a jornada acabou, que o pior já passou. Mas sempre tudo pode piorar.


terça-feira, 9 de julho de 2013

Capitulo 2 – Small things.

Toda casa estava com cheiro rançoso de carniça, olhei pro lado e vi as chamas na janela. Corri pro quarto.
- Dylan, vem. Se apóia em mim – Dylan estava soando frio. O corte na testa estava sangrado mais agora, e a dor na costela só piorava. Ele me abraçou e eu o ajudei a levantar. Bryan levantou depois e me olhou de cima a baixo, observando o sangue na minha roupa e pedaços de carne podre na minha blusa – Bryan pega alguma mochilas no meu quarto e coloca todas as roupas que você achar. Rápido – Ele correu. Fui com Dylan até o quarto da minha mãe e dei alguns analgésicos pra ele, depois o deitei na cama.
- Eles são fortes – Disse ele baixo.
- Quem?
- Aquelas coisas...  São fortes. Quando estava se transformando papai me chutou pra fora de casa e eu cai no asfalto. Ele ficava se debatendo e depois parou, morto no chão, a mãe foi até ele e ele mordeu ela, ela deixou o pano cair no fogão e tudo começou a sair do controle, ela pegou o papai semi transformado e levou ele pra cima chamando os outros zumbis da casa. Bryan correu pra me ajudar a me levantar, mas duas coisas vieram atrás dele e então ele correu para trás da casa. A metade da casa quase explodiu e eu vi... Alguns bichos voando pra todo lado – Peguei as três bolsas de medicina que meus pais guardavam em baixo da cama, e então fiquei imaginando “e se eu não tivesse saído de casa? Minha mãe estaria viva? Meu irmão estaria com a costela quebrada? Tudo teria dado certo? Ou eu estaria morta?” – eu só não entendi como você conseguiu derrubar um deles, se o papai conseguiu quebrar minhas costelas com um chute.
- Acho que quando totalmente transformados eles ficam lentos. E mais idiotas – Coloquei as bolsas dentro da uma mochila e dentro dela um cobertor e uma foto. Uma foto de família, ridículo né? Tudo explode e eu pego fotos de família. Mas acho que é isso, as pequenas coisas que fazem o resto da vida valer a pena.
- E como é?
- O que? – Perguntei abrindo a porta do guarda-roupa.
- Lutar com um deles – Parei.
- É estranho. E assustador – Meia verdade, é estranho e assustador. Mas é bom. Quando eu cortei a cabeça do primeiro era como se eu tivesse descarregando toda minha raiva guardada do mundo, das pessoas, de mim naquele monstro.
- E é certo?
- O que?
- Matar eles – Eu dei um sorriso debochado, e joguei todas as roupas do armário no chão. Levantei e pisei no chão dele, quebrou. Sabia. Meus pais guardavam armas, cartuchos de balas, machados no guarda-roupa. Soquei tudo dentro da mochila.
-Eles não são mais pessoas Dylan. É eles ou nós. Matar ou morrer, não ligo – Isso soou mais frio do que eu queria – Consegue andar sozinho?
- Consigo.
- Bryan!
- Oi, cheguei – Ele apareceu na porta do quarto.
- Cadê a chave do carro?
- Lá em baixo – Olhei pros dois, eu mais parecia um general fugindo de um campo cheio de granadas do que uma irmã mais velha tentando proteger os irmãos idiotas. Eu só queria sair daqui, mas estava tão preocupada em salvar a gente, proteger ele que não percebi como eles estavam assustados. Respirei fundo e disse tentando parecer legal:
- Ta bom, Dylan pra onde quer ir?
- Hm... Las Vegas.
- Vegas baby! – Bryan começou a rir- Eu sempre quis dizer isso.
- Para de ser idiota Bryan – Disse Dylan revirando os olhos.
- Cala boca Dylan.
- Vamo logo! – Bryan pegou duas mochilas e eu uma descemos as escadas. Eu fiquei com uma arma na mão – meu pai levava a gente pra caçar quando éramos menores, o conceito da arma é simples, destrave, mire, calma, atire, fim - Dylan pegou água da geladeira, algumas bolachas e as chaves, colocamos as malas no porta malas e eu comecei a dirigir. Quanto mais eu dirigia mais gostaria de voltar pra casa, quanto mais eu via mais percebia que estávamos em guerra. As ruas passaram de limpas e acolhedoras para sujas e mortais. As latas de lixo reviradas e em chamas, lixo espalhado por todo lugar, zumbis andando lentamente pelas ruas, pessoas trancadas dentro de casa. Casas destruídas – como a nossa - uma tempestade chegando.
Não me admira a água ter acabado, num apocalipse quem trabalha? Presumo que nada mais esteja funcionando, muito menos o governo. Desde quando funcionou? Acho que não tem mais regras, agora entramos pegamos o que precisamos e saímos. Parei o carro, abri a porta. Sai do carro.
- Dallas – Chamou Dylan.
- Não se mova – Andei até o gramado na calçada. Ouve um acidente, um carro prata capotado dois zumbis adultos se alimentando de uma pessoa menor, criança. Atrás do carro tinha uma cadeira de bebe. E no assoalho uma foto ensangüentada de uma família. Pai e mãe comendo o filho. Destravei a arma e atirei na cabeça dos dois. E na do menino pra garantir que não voltasse. Tirei uma mochila do banco de trás pelo que percebi, pela falta de uso tudo dentro da mochila acaba de ser “roubado” de alguma loja. Levei a mochila pro porta malas.
Deveria me sentir suja? Roubando coisas de pessoas que acabaram de morrer? Mas isso é pura sobrevivência,certo? E... É roubo roubar o que já foi roubado? Ou seria mais um caso Robin Wood?  Não sei se deveria sentir pena, remorso ou angústia por eles. Mas a verdade é que eu não ligo pra eles. Entrei no carro, pelo retrovisor vi Dylan dormindo no banco de trás. Os remédios fizeram efeito.
- Não sei se é certo o que estamos fazendo – Disse Bryan.
- O que?
- Olha viver num mundo como este é difícil, mas pior seria perdermos nossa humanidade.
- Onde você quer chegar?
- Matar o pai e a mãe Dallas. Pegar a mochila de alguém na rua, sair pra um lugar que nem sabemos se é seguro.
- Lembra quando tudo começou? O que o pai disse? – Perguntei.
- “Vamos ficar em casa. É seguro aqui”
- E o que a mãe disse?
- “Se não deixarmos o mundo exterior entrar, podemos ficar num lugar só”
- Viu como eles estavam errados? Não existe essa porra de “mundo exterior não entra” Não podemos ficar trancados num lugar só, nenhum lugar é seguro, mas não podemos ficar parados também. Vamos a Vegas, e depois pra outro lugar.
- Fazer o que? – Perguntou ele olhando pra mim.
- Nos mover. Não podemos ficar trancados. É pior – Bryan respirou fundo.
- Você acha que eles se lembram? – Perguntou ele – Quem eram antes da... Transformação?
- Duvido. Se lembrassem não tentariam nos comer.
- Tem razão... Como você conseguiu?
- O que?
- Matar o pai e a mãe. Sem dor – Ele me olhou. Sem dor? Eu me torturo por isso desde que eu fiz, eu sei que fiz a coisa certa. Não eram nossos pais, mas mesmo assim fiquei pensando “e se tiver uma cura? E se eles puderem voltar? E se eles voltarem ao normal?” mas tem muito “e se”. Muitas duvidas, e não a tempo pra elas.
- Não eram nossos pais. Eram monstros.
- Mesmo assim, acho que... CUIDADO – Pisei no freio. Um homem, um garoto e duas meninas correram no cruzamento.
- Mas que droga! Prestem atenção! – Disse abrindo a janela.  Eles correram até mim, uma garota se ajoelhou na janela.
- Por favor, nos ajudem. Por favor – Ela tinha cabelo preto, tatuagens tribais no braço e olhos pretos
- O que foi?
- Tem uma horda de errantes vindo pra cá – Respondeu o homem, ele era alto, musculoso, moreno, olhos pretos, seu cabelo cortado igual a um guerreiro de guerra com cicatrizes no rosto – Podem nos ajudar? – “viver num mundo como este é dificil, mas pior seria perder nossa humanidade”  droga de consciência. Olhei pra trás, Dylan já tinha acordado. Bryan olhava pra mim, tudo depende da minha decisão.
- Eu vou me arrepender disso. Entrem.
- Obrigada – Eles abriram a porta e sentaram apertados atrás, cruzei a esquina uma horda vinha daquela direção. Uma daquelas coisas: Inofensivo. Uma horda: Fode. Voltei a dirigir, os zumbis estavam chegando. Um amontoado de 40 grunhidos, zumbindo no seu ouvido pode te deixar louco. Primeiro erro: Virei uma esquina e tinham dez deles ali, se alimentando. Atropelei um, atirei no outro. O barulho ecoou por todas as ruas ligadas aquela. De cada esquina vinha mais uma horda de zumbis.
- Puta que pario – Disse uma das meninas, ruiva, olhos azuis, pele muito clara. Pensa rápido Dallas, pensa rápido. Estávamos cercados não tinha pra onde ir, não tem como sair dessa rua. Olhei para trás, naquela velocidade eles chegaria aqui em 4 minutos.
- Dallas – Chamou Dylan, a testa dele voltou a sangrar. E ele estava pálido. Perdendo muito sangue. Tem um hospital a 15 minutos daqui.
- O que a gente faz?? – 2 minutos. Todos olhavam pra mim, droga eu não tenho as respostas pra tudo!
- Dallas o que a gente faz?!
- Eu não sei merda! To pensando! – Olhei pra trás de novo, eles estão se aproximando – droga, droga,droga – e agora? - Vocês tem armas? Machados? Ou sei lá – Eles assentiram – Ótimo. Saiam do carro.
- O que?!
- RÁPIDO! – Abri a porta – BRYAN AJUDA O DYLAN!
- Você ta zoando?!
-TO COM CARA DE QUEM TA ZOANDO? VÃO PRAQUELE PRÉDIO! RÁPIDO! – Eles saíram correndo, o homem e as duas meninas atrás, abri o porta malas – GAROTO! – Ele virou, cabeludo castanho, olhos da mesma cor, pele clara – Qual seu nome?
- Austin – Estendi a mão pra ele, e ele apertou.
- Dallas. Austin toma – Dei uma arma pra ele. 1 minuto – Me dê cobertura – Ele me olhou – Sabe usar uma dessas, não sabe? – Ainda olhando pra mim ele destravou a arma e atirou na cabeça de um zumbi.
- Sei – Peguei a mochila, o homem saiu com um machado do prédio e ficou na frente da porta de incêndio decepando a cabeça de todos errantes que tentassem passar. Coloquei a mochila nas costas e prendi o machado na minha cintura, Austin colocou uma mochila nas costas e eu joguei uma para o homem na frente do prédio. Peguei uma arma, e atirei na cabeça de um errante. Eu vi aquele momento em câmera lenta, eu destravando a arma com o dedão, apertando o gatilho, bala de prata voando e explodindo os miolos do morto. Puxei Austin pela camiseta e corremos em direção ao prédio. 0 segundos. Eles estavam pulando por cima do carro dos meus pais o homem abriu a porta e entrou, pelo canto do olho vi dois zumbis, a porta estava aberta, comecei a calcular o plano. Joguei Austin pra dentro, ele caiu e entrou escorregando no prédio e esse foi o tempo de eu desprender o machado da minha cintura e passar na garganta do zumbi. Me virei, chutei o queixo do outro ele caiu e eu atirei na cabeça. Um deles agarrou meu cabelo eu peguei o machado e segurando com força com as duas mãos afundei na cabeça dele. Ele caiu no chão me levando junto, senti escorrer alguma coisa pela minha nuca. Austin me arrastou pra dentro do prédio. O homem fechou a porta.
- Aquele filho da mãe arrancou meu cabelo – Disse passando a mão na cabeça. Limpei o sangue na blusa suja.
-Dick Jackson – O homem estendeu a mão pra mim e me ajudou a levantar.
- Dallas.
- Pai – Disse a garota ruiva no topo da escada – Temos um problema aqui – No corredor de cima tinham uma mulher, um homem e uma criança, um menino de 10 anos. O homem apontando uma arma para nós.
- O que vocês pensam que estão fazendo? – Perguntou ele.
- O que quer dizer? – Perguntei.
- Atirando por ai como se estivéssemos em tempos normais. O barulho atrai atenção deles, idiotas.
- Sinto muito senhor – Disse irônica – Mas não deu tempo de pensar no meio de um ataque – Ele sorriu e abaixou a arma.
- Podemos ficar com vocês? Não vai ser por muito tempo, eu juro. Só por esta noite – Perguntou Bryan.
- Esse ferimento – Disse a mulher,apontando pra mim – É uma mordida?
- Não.
- E o seu? – Perguntou apontando pro Dylan.
- Não.
- Então podem entrar.
No final das contas, Bryan tinha razão. Teríamos morrido sem ajuda dessas pessoas, e tem também o fator lealdade, onde você deposita sua confiança em alguém. Eu fiz isso com Austin e ele me ajudou. Quer ver o caráter de uma pessoa? Confie nela. O fato é que não importa o quão difícil sua situação esteja, nunca perca sua humanidade.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Bem-Vindos ao fim.

Capitulo 1 – No Soul

Eu estava trancada dentro do guarda roupa, meu nariz entupido e eu respirando pela boca vendo uma fumaça pelo ar frio da tarde. ‘’Se a morte conta uma história, você tem que parar para ouvir’’ essa é a frase primeira frase do meu livro favorito ‘’A menina que roubava livros’’ levo essa frase como lição de vida. Ela é boa, combina comigo. A quase um ano a primeira aparição ocorreu, no interior dos Estados Unidos. Começou com um experimento, cientista brincavam de Deus com seus jalecos e conversa intelectual, alguma merda eles fizeram, morreram. Voltaram infectaram a pequena cidade do Tenneesse, depois Colorado,  Los Angeles, e agora em Nevada.
Não posso ficar aqui pra sempre, meia hora dentro do guarda roupa porque a medrosa aqui não quer ver o que ta lá fora. A 2 meses eu estava com minha mãe, pai, e meus dois irmãos mais novos trancados dentro de casa na esperança de que o mundo exterior não viesse para dentro. Péssima noticia para mim, essa porra de “mundo exterior não entra” não existe. Hoje de manhã fui silenciosa a duas quadras de casa até cidade pra pegar o necessário no mercado e quando voltei a casa estava em chamas.
-Dylan – Dylan é meu irmão, ele tem 15 anos. Ele tem cabelos castanho claro olhos da mesma cor, pele clara - puxou pro meu pai- estava caído na frente da casa, sangrando, coberto de fuligem. Sozinho. Sem mordidas. Sentei ao lado dele – O que aconteceu?
- Papai tropeçou na mesa e caiu com as mãos na porta. Alguns zumbis na rua invadiram a casa – Engoli em seco.
- Cadê o Bryan? – Tava tão frio que pensei que ia congelar
- Não sei.
- E a mamãe? Papai? – Dylan me olhou, com os olhos cheios de lágrimas. Meu coração quebrou ao meio – Consegue se mover? – Ele balançou a cabeça – Legal, então vem – Ajudei ele a levantar. Dylan segurou a costela e começou a andar. Demos a volta na casa, achei Bryan andando na nossa direção. Bryan é igual a mim tem cabelo preto, olhos azuis, pele clara, seríamos gêmeos se ele não tivesse nascido dois anos depois de mim. Nossos olhos azuis são iguais a mamãe – Bryan vai na frente e tenta apagar o fogo, eu vou entrar e ver o que eu consigo recuperar.
- A gente vai sair daqui?
- Você quer ficar aqui até ser devorado vivo? – Ele me olhou nos olhos e depois foi pra frente. Entramos pelos fundos da casa, andamos silenciosamente pela casa. Meu pai era médico, minha mãe também. Eles me ensinaram muito, então eu sei o suficiente para sobreviver. Subimos as escadas, fomos até o final do corredor abri a porta do quarto da minha mãe. Três zumbis, mas a pior parte era ver que dois deles eram meus pais. Em todo esse ano convivendo com um mundo morto nunca pensei que pudéssemos morrer ou virar um deles, até hoje. Os zumbis só olharam pra mim e depois começaram a andar e grunhir em minha direção. Fechei a
porta, Dylan caiu. Pelo que eu percebi pelo menos três costelas quebradas e um corte fundo na testa.
- Dylan olha pra mim – Sussurrei. Ele me olhou – Respira fundo, tudo bem? – Ele balançou a cabeça – Legal – Ajudei ele a levantar.
- Gente –Disse Bryan correndo escada a cima – A água acabou.
- Ótimo.
-Que barulho é esse? – Bryan colocou a orelha na porta do quarto dele – Tem mais dessas coisas aqui?
c
Essa é a minha história. Não posso ficar aqui, quanto mais tempo ficamos presos, dentro de um lugar que parece seguro mais inseguro será este lugar. Na minha mão direita vinha do meu osso do dedão até a metade da minha mão minha tatuagem “No Soul”. Fiz no meu aniversário deste ano, de 17 anos. Meus pais só me deixaram fazer ela porque pensavam que eu era responsável. Responsável eu deixar a família morrer? Aqui? Agora?
A porta cedeu, Dylan ofegou peguei na mão dele, e fiz sinal pra ele fazer silencio. Bryan olhou pra mim com o medo estampado nos olhos. Dava para ver todos os quinze zumbis por entre as frestas do armário, eles olhavam o lugar grunhindo desesperado por carne. Não posso ficar mais aqui. Peguei um machado no guarda roupa do Dylan – desde que tudo começou, papai sempre deixava alguma coisa dessas pra emergência – Olhei pros dois. Bryan fez “não” com a cabeça. Levantei, peguei fôlego e abri o armário. Antes que eles notassem minha presença cortei a cabeça do primeiro. Foi bom, muito bom. Cortei a cabeça do outro, sua cabeça se espatifou na parede fazendo sangue jorrar por toda pintura branca.Um outro veio na minha direção chutei o zumbi, outro veio em cima de mim pisei com força no crânio podre do morto fazendo meu all star vermelho ficar encharcado de sangue preto e decepei a cabeça do próximo. Um veio por trás de mim, cai no chão o machado voou pra longe.
-DALLAS! – Ouvi Bryan gritar. O zumbi virou a cabeça pra ele, segurei o pescoço dele me ajoelhei e com um movimento rápido quebrei o pescoço dele.
- Não grita – Sussurrei, mais friamente do que gostaria. Agachei e peguei o machado, ouvi grunhidos e passos pesados vindo pra cá. Já sabia quem eram, e não queria que meus irmãos vissem isso. Saí do quarto, minha mãe com olhos leitosos e pele pálida, vinha arreganhando os dentes, grunhindo, cuspindo um sangue preto na minha direção. Não quero fazer isso, matar minha mãe. Não, essa não é minha mãe. É um monstro, um monstro que não sabe quem eu sou e que vai me matar sem remorso.
Meu pai, olhos leitosos pele pálida o mesmo andar pesado.
-Sinto muito por não evitar isso, mas agora vai pra um lugar melhor – Você pode até pensar que isso é piegas, mas é a verdade. Como pode ter um lugar pior que aqui?
Segurei o machado com força, tomei fôlego e decepei as duas cabeças de uma vez.
Engraçada a vida, numa hora você tem tudo. E na outra nada.
Numa hora você está feliz, mas uma coisa acontece e te deixa triste. Mas se isso já aconteceu significa que você tem que pensar. Eu me pergunto: Eu sou feliz?  Não. Antes minha vida era normal, amava meus irmãos pentelhos e pais irritantes. Mas eu já sabia que não importa o que eu fizesse não iria sentir a verdadeira felicidade. Agora? Felicidade não consta. 
Mas e você? É feliz? Se pensou mais de 10 segundos, a resposta é não.


domingo, 19 de maio de 2013

Capitulo 19 – Numa guerra não há vencedor. Apenas vitimas


Meus dedos dos pés estavam formigando. Mas meu cérebro estava completamente ciente que eu deveria encontrar Ethan.
-ETHAN! – Nenhuma resposta, tudo que eu ouvia eram os gritos de desespero que ecoava pela fazenda. Não vou subir aquela montanha sem ele. Não vou. Corri ao redor da casa, enfiei o canivete na testa de um errante. Passei pela garganta do outro, não cortei a cabeça toda só queria ver se um zumbi poderia se afogar no próprio sangue. Olhei ao redor, tinha uma faca no chão ao lado de um corpo. Enfiei essa faca na cabeça do homem – não to afim que ele volte – e voltei a correr – ETHAN – Não é uma coisa inteligente gritar no meio de um horda, mas eu não ligo. Só quero Ethan de volta. Apunhalei o zumbi no olho, um outro pulou sobre as minhas costas me apoiei com as mãos no chão e deitei de costas deixando o errante preso no chão. Troquei o lado na faca deixando a lamina pra baixo e enfiando na cabeça do zumbi. Voltei a correr, mutante frente joguei a faca pegou no ombro dele, prendendo-o numa árvore – estou começando a ficar boa em facas – fui até ele e enfiei o canivete em sua cabeça depois tirei a faca, ele caiu – ETHAN – Um dos cabeças ocas estava atrás da árvore, ele agarrou meu pescoço. Mais dois chegaram, coloquei minha perna pra frente prendendo um errante e outro atrás. O aperto no meu pescoço piorou, me sentia sufocada quase não podia respirar. Empurrei com o pé os dois errantes, A primeira se levantou eu peguei a faca e enfiei na cabeça dela, minhas mãos estavam ficando brancas, o sangue parando na minha cabeça, agarrei o braço morto do mutante e tentei arrancar do meu pescoço. Não consegui, a outra se levantou também enfiei na parte de baixo da cabeça e depois na testa. Minha mão machucada voltou a doer, e eu estava perdendo a força nas duas mãos. Tentei chutar o errante mas a árvore protegia ele.
Ele me mordeu.
No pescoço. Eu gritei. Senti o sangue queimar dentro da minha pele, e em segundos senti uma explosão de adrenalina, peguei o braço do errante e empurrei tanto pra frente que quebrou no meio fazendo cair uma poça da sangue na grama, agarrei a jaqueta rasgada do errante e joguei no chão. Enfiei a faca na cabeça dele.
O sangue desceu da lateral direita do meu pescoço – na mordida – e foi pra minha blusa, algumas imagens estranhas passaram pelo meus olhos, o mesmo que eu via, só que cinza. Tudo cinza e depois voltava, já estava acontecendo. A mutação. Sacudi minha cabeça, e meu pescoço doeu. Parecia que estava rasgando e a qualquer minuto minha cabeça sucumbiria. Preciso achar Ethan antes.  Voltei a andar cambaleando pela grama, a adrenalina ainda estava dentro de mim. O sangue fervendo loucamente, a pele ficando mais clara.
-ETHAN! – Eles estava sentado no chão atrás da casa, atirando pra trás, sua camiseta estava ensopada de sangue. Foi mordido na costela. Fui até ele e senti minhas pernas bambas, cai do lado de Ethan. Ele olhou pra mim, e eu nos olhos dele. Passei a mão no cabelo dele, e ele me abraçou.  Não dissemos nada. O que há para ser dito?
Beijei ele.
Não vou ter outra oportunidade pra isso, então.
-Foi bom te conhecer Sarah – Odeio despedidas.
- Foi bom te conhecer Ethan – Ajudei ele a levantar. Não da pra fazer nada, com esses errantes por aqui. Mas então eu vi a mochila de Nathan na frente. E automáticamente lembrei de uma coisa – Vem - Eu e Ethan voltamos a correr. Ele também estava com a adrenalina correndo as veias, ele atirou em três errantes um atrás do outro. Peguei uma arma também, fui atirando até chegar na mochila. Abri a mochila e tirei duas granadas – não usamos as granadas, que pegamos na cadeia ainda – Vamos! – Eu e Ethan corremos e escalamos montanha a cima. Girei a chave a joguei a primeira granada.  BUM. Segurei firme numa arvore, o calor quente soprando no meu rosto. Joguei a outra. Depois que poeira baixou todos estavam no chão, as pessoas que ainda lutavam, e os errantes que se alimentavam. Pedaços de pessoas e mortos por toda parte. Ganhamos a batalha.
E a guerra continua. Sempre vai continuar.



O sol já estava no topo, o dia estava lindo. Nunca imaginei minha morte, mas é um bom dia para morrer. Eu e Ethan estávamos dentro dos destroços da casa. Não pensei que ainda restassem lágrimas para serem gastas dentro dos meus olhos, mas pode apostar que restam muitas. Minhas lágrimas lavavam meu rosto e eu nem tentei limpar.
-Só pode ser você Sarah...
- Eu não consigo. Não de novo – Disse com a voz embargada – Porque não pode ser eu primeiro.
- Porque eu não vou conseguir ver você morrendo – Disse Ethan com os olhos tristes, porém brilhosos. Como antigamente. Eu balancei a cabeça negativamente – Sarah quer que eu me transforme? – Balancei a cabeça de novo – Então por favor, atire – Respirei fundo, minha mão tremia loucamente. Destravei a arma, levantei – Espera – Ethan olhou nos meus olhos, na minha alma. Ele segurou na minha mão, beijou minha bochecha – Eu te amo Sarah – Engoli um soluço. Sorri, um sorriso triste. Com lágrimas caindo na minha boca.
- Eu também te amo Ethan – Atirei. Ethan caiu, mas ainda segurava minha mão, e eu não ousei soltá-la. Um vazio extremo veio no meu peito. Não tem outra saída, não tem nada mais me aguardando. Não tem mais nada pra mim aqui. Será que a morte é tão ruim assim? Acho que não. Talvez seja melhor, ficarei com meus pais, meu irmão, Ethan, Nathan, Clear, Mason, Simas... Todos que eu amei se foram, devo ir também.
Um dia a morte falou pra vida: Porque a mim todos odeiam e a você todos amam? E então a vida respondeu: Porque eu sou uma doce mentira, e você uma triste verdade.” E eu vou abraçar essa verdade como uma antiga amiga. Atirei na minha cabeça. Caí. Caí na minha própria poça de sangue.
Eu pensei que pudesse sobreviver a isso, ficar quem sabe pra sempre com Ethan. Mas nada é pra sempre, mas podemos fingir não saber disso.

Capitulo 18 – Cheque mate.


Qualquer arvore que queria chegar ao céu, tem que ter raízes tão profundas para tocar o inferno. E é por isso que acredito que Nath está melhor agora, já está no Paraíso, adeus purgatório.
-Quer saber de uma coisa? – Disse Rei – Não podemos deixar eles tomarem a casa. Temos que subir e lutar.
- Essa é a coisa mais otária que ouvi – Respondeu Link – São pouco de nós, para muitos deles – sempre foi.
- Não vou deixar que tirem minha casa! – Rei andou até a escada e abriu e portinhola, olhou para os lados e depois saiu.
- Tio Rei! – Disse Ethan, mas já era tarde demais. Ele já tinha ido – Não podemos deixar ele ir sozinho lá fora. Temos que sair com ele -Eu respirei fundo, passei a mão no rosto tirei todas as lágrimas. Sinto muito por não podermos dar um enterro decente para Nath, mas agora não a tempo.
- Tudo bem? – Perguntou Clear. A minha regra número um sempre foi: Não prometa o que não pode cumprir. E de repente me vejo quebrando minha própria regra.  Assenti, levantei. Peguei minha mochila, e a que está com Nathan levantei e fui até Ethan, ele passou o braço sobre meus ombros e beijou meu bochecha, enquanto eu ainda olhava Nath. Não vou quebrar minha promessa a Nath “não conte a meu irmão sobre nosso pacto”não vou.
- Vamos – Ethan saiu primeiro, eu sai depois e ajudei Clear a sair. Isso que está acontecendo aqui fora é uma guerra. Tinha várias pessoas que eu nunca na minha vida imaginei que fosse ver, lutando, atirando, esfaqueando errantes, chorando por entes queridos agora caídos no chão.
- Meu Deus do céu – Sussurrou April. Não dava para ver quase nada de grama, por que todos os mortos – os que continuavam andando e os caídos no chão – estavam tampando toda grama. Aquele cheiro insuportável de carne rançosa, decomposição, morte misturados e aumentados 90 vezes mais. JJ vomitou atrás de mim. Um zumbi se aproximou de nós, April gritou enfiei calmamente o canivete na cabeça dele, se estava me sentindo fria antes agora nem se fala.
- Não grite – Disse a ela – Vem gatinha – Segurei o braço de Clear.
 - Como a gente chega ali? – Perguntou Link apontando para o carro que estava na entrada da propriedade... No meio deles.
- Vamos com outro carro – Disse Ethan – Ali na frente tem alguns – Ele apontou para trás da casa. Os tiros de Rei ecoavam por todo Tenneesse. Os errantes estavam se fechando ao redor dele.
- Paraíso – Clear fechou os olhos com as mãos, parecia um tabuleiro de xadrez, onde os errantes eram os peões, cavalos e torres, a rainha – Mary – já foi comida – literalmente – e eles não deram mais saída ao Rei – Cheque – Rei sabia que não tinha para onde ir, mas o homem não parava de atirar um só segundo. As balas acabaram, ele recarregou – Cheque – atirou na cabeça do outro e do outro. No entanto como o previsto Rei foi mordido – Cheque Mate – tapei os ouvidos de Clear. Não senti nada. Nem felicidade, nem pena, nem tristeza, nem mágoas, muito menos remorso, por não tê-lo ajudado. Pra mim: Que se foda. Não escutou quando avisei, agora vai morrer. E se ele virar um deles e eu tiver que matar, farei com gosto – Vem gatinha – Arrastei Clear em direção ao carro, um horda veio de lá April estava rápido demais e não conseguiu se refrear, Ethan puxou sua blusa bruscamente jogando a garota no chão.
- Toma cuidado - Disse ele a ela - não se desespere, porque desesperado ninguém pensa direito.
- E como vocês não estão desesperados? Olha isso, estamos lascados.
- Já vimos muita coisa, e já passamos por muita coisa. Nada mais me surpreende - Respondeu ele.
- Precisam de ajuda? – Noah apareceu atrás de nós. E um errante atrás dele, soquei o rosto do zumbi ele caiu, empurrei Noah para trás e desferi séries de socos no rosto do zumbi com toda raiva que eu tinha. O rosto do mutante se desmanchou deixando sangue, e pedaços de qualquer coisa na minha mão. Sacudi minha mão e limpei o sangue na blusa.
-Vamos – Disse. Noah pegou o machado e passou cortando a cabeça dos errantes com a agilidade de um cortador de lenha, chegamos no carro. Zumbis saíram de trás dos carros.
- Não dá pra continuar... – Disse JJ.
- Não da pra continuar com esses filhos da mãe por aqui – Completei.
- Então o que a gente faz pra tirar eles daqui? – Perguntou Link. Olhei ao redor, as extremidades da fazenda são preenchidas com montanhas.
- Link, April, e JJ vocês tem que subir lá em cima.
- Pra que? – Perguntou Link.
- Pra sair da área de guerra Linkon... Sarah tem razão... Vão – Ethan empurrou April, voltamos correndo pela área em direção a montanha, ainda conseguia ouvir os gritos de desespero de Rei. Não olhei pra trás, e nem passou pela minha cabeça ajudá-lo. Viemos para o Tenneesse buscando paz e tudo que conseguimos foi Nathan morto depois de um dia aqui. Puta que pario. Noah estava ao meu lado e estava se divertindo cortando as cabeças de errantes, Clear estava na minha frente um mutante estacou na frente dela – não sei o que foi aquilo, mas parecia um curso a jato para o circo de soleil – apertei o botão do canivete fazendo a lamina ficar para fora, pulei por cima de Clear enfiando a faca na cabeça Mutante, dei uma cambalhota no chão, levantei peguei o braço de Clear e voltamos a correr. Minha respiração ofegante comprimindo meu pulmão – Tia Mary tinha razão está esfriando, dava pra ver minha respiração em fumaças no ar – April agarrou um tronco de uma árvore e começou a subir.
- Rápido April – Disse Ethan enquanto passava a faca de Nathan na cabeça de um Mutante – Ethan tinha um brilho novo no olhar, não era aquele sedutor que sempre acontecia quando a luz pegava em seus olhos, mas um brilho vingativo, e raivoso. Já vi esse brilho antes. Nos meus olhos – JJ começou a subir também, me descuidei por um segundo olhando para JJ e não vi um Mutante arrastando Clear.
- SARAH – Olhei pra trás, o Mutante não tinha um perna, mas nem por isso que ele não era um ameaça. Outro se juntou a ele. O pânico encheu meu cérebro, não conseguia pensar em nada que não fosse salvar Clear. Corri.
- SARAH NÃO! – Ethan veio atrás de mim – EU TE DOU COBERTURA! – Clear estava muito na minha frente, não vou conseguir chegar a ela a tempo.
- Ethan vai atrás dela.
- Onde você vai? – Corri em direção aos carros, Ethan balançou a cabeça como quem diz “menina teimosa”. Peguei um isqueiro que Noah tinha no bolso, e voltei a correr até os carros. Não da pra chegar até os carros, os zumbis estão tampando o caminho. Ascendi o isqueiro. Um grito. Parei.
- ETHAN! ETHAN! – Ele não respondeu. Meu coração apertou. Eu queria voltar e ver se ele estava bem, mas tenho que salvar Clear. Joguei o isqueiro pra de baixo do carro. O fogo pegou no tanque de gasolina, o carro explodiu, explodindo o outro e o outro e a casa. Fui arremessada para o outro lado da fazenda. Por um instante não vi nada, e depois minha visão piorou pela fumaça. Meus pulmões e narinas estavam ardendo por causa da fumaça e ela era tudo que eu conseguia ver. Tossi, e tossi de novo, tossi tanto que cuspi bile. Tentei levantar, mas não consegui.
- SARAH! SOCORRO! – Levantei e depois cai na grama de novo. Fechei os olhos por um tempo e depois abri de novo. Vi Clear. Boa noticia: Ela não foi mordida. Má notícia: Estava em chamas – SARAH! POR FAVOR! – Ela não estava pedindo para eu ajudá-la a sair do fogo, estava pedindo para eu acabar com o sofrimento. Eu me vi dentro do meu sonho. Não conseguindo mexer um músculo. Apenas olhando – SARAH! – Não vou deixar acontecer o que aconteceu no sonho agora de novo. Eu tentando salvar a vida de Clear, apenas acabei com ela. Andei um pouco em direção a ela.
- Clear, sinto muito.
- Tudo bem, não foi culpa sua. Agora por favor, acaba com isso – Joguei o canivete pra frente. Ele pegou na testa dela. Clear caiu.